Thursday, November 11, 2010

Dakota

Leia este texto ouvindo: Dakota - Stereophonics

As luzes da cidade não são as mesmas sem você. Eu passei em frente a sua casa sem a coragem de encarar a campainha e tocá-la. Desde que me mudei para o outro lado desse grande estado nós nos perdemos, e você está cada vez mais distante. Mais até do que a própria distância física que nos separa. Creio que sou fraca demais para sustentar a idéia de deixar você ir. Por mais que esteja feliz assim. Eu tenho um certo egoísmo, admito, mas nada mais do que isso. Eu curto sua camisa xadrez que me faz tirar um longo sarro de você e da nossa música que ainda toca no rádio. Um cd de fotos nossas passa lentamente na minha tevê e eu ainda estou meio lenta pois fixei demais meus olhos nos seus na foto em que eu e você estávamos sorrindo felizes para a câmera com um enorme parque às nossas costas. Eu gostaria que você fosse aquela foto. Gostaria de guardar você e poder leva-lo para todo e qualquer lugar que quisesse. A cafeteria/lanchonete/music lounge está fria e silenciosa. Dakota não é a mesma sem seu sorriso. E toda vez que sento na mesa com cadeiras em madeira ao lado da janela impecavelmente limpa da Holly's Duff eu penso em você; penso nos nossos encontros inesperados, nossos planos para um futuro que parecia nunca chegar, e seus estudos para o vestibular que as vezes o deixava chato. Eu estava lá. Fazendo você rir até se engasgar e esperar você se recompor vendo você tomar um ar do outro lado do vidro. Quando você entrava novamente, riamos mais um pouco até o assunto ficar sem nexo demais, a luz amarela acima de nossas cabeças tivessem sido acesas e começasse a projetar sombras mais fortes do que aquelas feitas pelo pôr do sol, que àquela altura já tinha se posto completamente e nossos lábios se tocavam involuntáriamente sem que fizéssemos esforço algum. Não há como esquecer isso. Não agora; não enquanto eu não quero. Nas lembranças consigo sentir uma pseudo segurança de que talvez você nunca se vá, por mais que eu saiba que já passou da meia noite e a sua carruagem se perdeu na escuridão levando junto algo no qual não queria que tivesse ido. Talvez eu encontre você em um pub qualquer quando for para Indiana, e então finalmente dançaremos a valsa prometida. Poderemos partir decentemente após uns goles da nossa bebida preferida no meu quarto em Princeton. Eu deixarei a porta aberta, sem medo, para que você entre. Não faça barulho, pegue seu biscoito no pote da esquerda e me beije, de novo, nos envolvendo na tênue linha de um futuro cada vez mais presente, abaixo das luzes brancas de lâmpadas incandescentes.

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