Eu tentava fugir naquela noite lúgubre, com a garganta intumescida de tantas coisas que eu não havia dito, mas o meu profundo desejo era ficar, porque longe da tua presença eu era algo inútil, portanto desvaneceria se não o tivesse comigo. Me sentia culpada por ser tão dependente do seu beijo cálido, que me abrasava todas as vezes em que me rendia aos teus encantos, mas eu escolhi partir pra não despejar nas tuas costas toda a dor que me cerrava o peito. Escolhi virar as costas, trêmula e desestimulada, mas deixando transparecer nos meus olhos toda a dor dos meus atos, até você me ver desaparecer na vertigem do tempo. Eu pude escutar de longe o teu gemido e meu corpo pulsou ao sentir a sua dor, porém não deixaria que aquilo tomasse conta das minhas decisões, pois eu havia passado muito tempo me preparando pra chegada desse momento, onde os sentimentos não seriam mais um só e os motivos pra ficar já teriam se tornado obsoletos. Se eu não nos libertasse dessa muralha, talvez nunca soubéssemos o que é a real entrega ao acaso, nem saberíamos o que é amor intenso, dos mais celestiais, aquele que prova para o mundo que o abandono pode ser coragem e forma de proteger o outro. Eu o observo caminhar pela vila, totalmente estarrecido e desprezado pela noite, procurando subterfúgios para se defender do amor, de mesmo modo procurando-o para se defender de mim.
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Sunday, May 29, 2011
Sunday, May 15, 2011
Envolta
Prólogo
Em algum lugar da Bretanha, segundo milênio a.C.
Tudo parecia ruir ao nosso lado, saí da cabana ainda atordoada com o fogo que começara há minutos atrás e quase bloqueara minha saída. Escoltei Aryana e Elvia até conseguir chegar à parte da floresta que não estava em chamas, ainda a tempo de colocá-las na carroça que tentava fugir com parte da aldeia, mas quase sem sucesso. Não consegui subir e deixei meus olhos se perderem na curva até eles desaparecerem em meio às folhagens. Atordoando-me novamente corri procurando um local seguro para me esconder deles. Eram grandes e emitentes, em seus cavalos empunhavam espadas e cortavam sem pena a garganta de meus vizinhos e companheiros. Estava perdida, pensei.
Era a terceira vez no ano que eles apareciam dessa maneira, alegando que nós não éramos dignos de viver, que nossa crença era errada e obscura e que todos nós devíamos morrer calados. Sempre fora assim, desde quando meus pais ainda eram meninos. Eu não os odiava; pois não se odeia ninguém. Mas eu não aguentava mais tudo aquilo.
O fogo se alastrou lambendo toda a tábua de madeira que ficou em cima da minha cabeça em um pequeno buraco no chão no qual me enfiei. Foi ficando quente demais para suportar e quando saí com minhas roupas já chamuscadas, Artur apareceu em um cavalo marrom e agarrou-me pela cintura. Segurei nele com toda a minha força, mas foi em vão, uma parte dos cavalheiros apareceu e nos cercou pelos quatro cantos. Artur tentou nos defender com uma madeira grande e pesada que ele havia encontrado no meio do caminho. Porém ao tomar a iniciativa de tirar a arma do inimigo já era tarde demais. O sangue quente em meu estômago começava a pulsar e meus olhos fixaram-se nos olhos do cavalheiro a minha frente.
- Bonnie! – Ele gritou, e então jorrou de sua boca o líquido vermelho.
Vi então, que tudo havia acabado. O inimigo se aproximou por trás de nós e nos apunhalou. A espada atravessou nossas costas perfurando tudo, sem dor. Artur segurou a minha mão com força, como se quisesse se agarrar à vida. Segurei sua mão de volta como um pedido de socorro que nunca chegaria a ser ouvido. Tudo ficou confuso e já não enxergávamos nada. Minutos depois, sem mais hesitar, estávamos mergulhados na escuridão.
Prólogo do livro no qual estou escrevendo.
Proibida a repercussão total ou parcial desse material.
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Sunday, March 27, 2011
Porque nada, soa tão bonito.
Vamos então expor os segredos. Tudo bem, se você não quiser falar é claro, até porque são segredos. Mas de uma forma ou de outra eu confesso que gostaria de saber. Hoje eu acordei com essa impressão de que você me esconde as coisas. Porém não por maldade, mas por plena convicção de que tudo na sua vida antes de me conhecer não tem a mera importância e que por isso eu não gostaria de saber. Saiba que está errado, querido. O sol nasceu amarelo na janela branca de madeira arando o piso suavemente até subir pela minha cama, dar um beijo de bom dia no meu rosto e finalmente tocar seu cabelo castanho fazendo-o brilhar e virar inocentemente um segundo sol, agora muito mais perto de mim e com calor dobrado. Eu sempre te achei esperto por ter escolhido o lado da cama no qual o sol chega por último e ainda por grande esperteza deitar de costas para a janela de forma que aquele pequeno filete caloroso não o incomode e o faça acordar. Me disponibilizo metade de uma hora para olhar para você enquanto levanto, me arrumo, desenrolo o cabelo que insensivelmente insiste em acordar desta maneira e me pergunto mais uma vez como, numa canção, sobre seus segredos. Eu gostaria sim de voltar alguns anos atrás por mais clichê e vintage que pareça, mas eu gostaria. Não que eu nunca quisesse ter te conhecido, é que na verdade eu gostaria de ter me preparado melhor para você. Talvez se eu já soubesse que haveria alguém como você me esperando no futuro, eu tivesse sido alguém melhor, alguém que você pudesse ver através da casca externa e assim quem sabe, eu tivesse encontrado você antes nesse passado no qual eu gostaria de voltar. Creio eu que agora estou sim atrasada, o relógio despertou pela enésima vez na cozinha e meu amor, se for tarde demais não voltarei a tempo. Porque nada soa tão bonito quanto quando ponho a minha chave na porta e você aparece atrás dela pronto a segurar meu cansaço se acaso eu precisar e dizer: 'Não quero saber sobre seu trabalho, fale-me sobre você...'. E nos deleitamos no sofá a sorrir, e voltamos a dormir até que no dia seguinte eu me pergunte novamente sobre os tais segredos que se escondem em você.
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Soul Destination
Hoje o dia amanheceu cinza, nada mais que o cinza e sua existência quebrada somente pelos filetes fracos de Sol que ainda lutam e relutam por expor sua beleza. Mas hoje, não mais do que hoje eles falharam. Honestamente eu estou andando pelas ruas dessa cidade por obrigação, pois nada me impulsiona já que não há a certeza se irei encontrar com você novamente naquela esquina. A canção em coro emana no meu coração pedindo quase que desesperadamente para esquecer você, e eu, assim como os filetes fracos do Sol, reluto por outra vez. 'Ele não quer nada com você' - mentira. 'Você não pode se apaixonar' - outra inverdade. E eu sigo, e eu espero e o céu está cinza. Eu poderia ter cruzado com você por inúmeras vezes, mas não aconteceu. E eu me pergunto se há motivos maiores para que só agora, nesse exato momento, onde nada mais faz sentido em assunto nenhum para mim, isso me acontece. Logo quando me proibi de ser sentimental, logo quando jogo a chave enferrujada do meu coração no pote empoeirado da prateleira da cozinha e não me há coragem de ir até lá para pegá-la de volta. E então eu entro no carro e ele dá a partida, e eu encontro o caminho entre minhas dúvidas mas eu ainda não sei se encontrarei com você. Se há lado injusto na dúvida, é justamente o fato de você simplesmente não saber, e ainda mais, de nem se quer imaginar como se portar diante de tal situação. A música repete pela décima terceira vez, e eu continuo a contar pois essa melodia mais do que qualquer outra me faz ter você ilusóriamente mais perto. E eu vejo você no banco ao lado, rindo para mim, segurando minha mão e beijando suavemente minha bochecha; e então eu olho de novo e ali naquele espaço é o frio que preenche tudo o que para mim poderia ser uma verdade. Sei que nunca saberá disso, e se um dia souber eu fico a imaginar que tipo de reação você teria. Uma risada? Um abraço reconfortante? Um beijo inesperado? E por mais que nesse dia cinza tudo esteja claro eu ainda caminho pela estrada escura de uma imensidão que por mais improvável que seja, gostaria de estar caminhando com você.
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Sunday, March 13, 2011
Into your arms.
Eu sempre congelo pensando nas palavras pra dizer
Todas as coisas que ele faz, fazem isso parecer amor. E se é apenas um jogo, eu gosto do jeito que jogamos.
Eu ouvi no fundo a sua gargalhada. Eu sei que é algo comum, mas eu me prendo aos pequenos e mínimos detalhes. É que faz falta quando eu não a ouço. Não é dificil saber que você já dança conforme o ritmo da nossa música. Eu brinco um pouco, rio de você, mas sempre caio no seu jogo. Você disfarça, tenta fugir, mas se entrega e também faz parte de mim. Em outro caso seria uma bagunça, mas no nosso caso é saborear todos os gostos que a vida dá. Eu não temo o amanhã. Porque enquanto eu te tiver do meu lado, tiver o calor do seu corpo e a alegria dos seus gestos festejando junto aos meus, eu vou sossegar a minha cabeça no seu ombro. Caminho com delicadeza, seguro a sua mão, faço você dar voltas do meu lado, pra matar o tempo que perdemos durante os desencontros da vida; e eu fui me desencontrando de tudo até te encontrar, desencontrado de si, e de mim em outra ocasião. Mas agora eu te tenho perto, e tenho dúvidas, mas elas não conseguem interferir no jeito que eu te amo quando você me beija com calor; eu te afasto, me aproximo, você volta pra pedir abraço, eu te nego carinho, insolente, querendo fazer jogo duro pra você se render ao meu charme; acabo seduzida por mais um sorriso seu... Você faz graça, eu fico em silêncio, você fica corado e eu começo a rir de você; você fica sério. O tempo todo nós brincamos, jogamos e xeque mate nisso que eles dizem que é amor; mas sinceramente-eu-não-sei; fixo o olhar em você, eu leio sua mente e você fecha os olhos, o seu olhar me acolhe, mas eu derreto em você tentando não me deixar levar, e pra onde mais eu poderia ser levada se eu não me tenho tanto quanto você me tem? Não sei onde é que estou, ou onde fui parar, eu te digo que não posso ir, você acha graça e se joga na cama, eu escuto o estalo mesmo do outro lado da linha, meu coração acelera quando eu sei que você está chegando com seus passos leves, se aproximando da soleira da minha porta. Fique aqui esta noite, não deixe o amor ir embora pelo menos hoje porque eu preciso de você mais do que eu posso mostrar, e se eu estou na sua foi porque me permiti, você sabe que nunca é tarde pra se divertir; mas os seus sentimentos importam pra mim. Eu adoro quando você diz que eu sou linda, quando você me agrada com aquelas flores perfumadas; quando seu instinto é maior que você e você se torna um cavalheiro inigualável, peça rara nessa estrada suja. Você gosta da minha voz; você sabe o que a nossa alegria faz, você vem pra mim sem vergonha, sem receios de se deleitar em uma paixão entorpecente e perigosa. Você diz que me conhece, mas não consegue captar meu olhar que te ataca, te deseja com ferocidade; que te arranca pedaços, te devora. Eu tinha tanta coisa pra te dizer, que sinto em segredo só por você. E em outro dia, sei que você não passa de uma interrogação, um complexo indefinido, algo que eu nunca tinha visto mas eu quis experimentar, eu quis ficar, até te beijar...
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Saturday, March 12, 2011
Summer boy.
Ah, esses Veraneios... o vento me disse que te traria até mim, e eu não tinha acreditado até então. Os astros sempre me disseram que você me tomaria, e eu só dei créditos quando me vi seduzida por você. Eu me lembro como você se vestiu no nosso primeiro encontro. Por que as coisas fazem tanto sentido agora? A verdade é que eu te admiro. Não importa onde essa paixão dê, do amor eu vou sempre lembrar. E eu vou guardar aqueles momentos de entrega, aqueles sorrisos sinceros e o romance que nunca deixou de nos acompanhar. Venha, sente aqui do meu lado pra contemplar a luz da lua, se sirva com uma taça de vinho e saboreie o silêncio que faz na rua. Não sei se nós vamos ter outro momento como esse, então aproveite ao máximo enquanto ele durar. Não vá embora, espere e passe a noite comigo, porque eu só vou deixar você ir embora quando o raiar do rei sol me cobrir por inteira na cama, e tomar meu corpo como você faz. Ah, os seus olhos! As coisas que eu vejo dentro de você através deles, a porta pra sua alma. Como eu queria mergulhar por inteiro pra dentro de você, desse jeito que eu faço; mas volto por medo de não achar mais saída; só que bem profundamente, sem arrependimentos. Eu não quero ter que voltar pro lugar de onde vim sem saber que sempre terei a sua companhia pra brindar a vida; que seja. Eu não quero ter que ir embora por desamores, desafetos, eu quero que você esteja presente nem que seja pra dizer que eu sou louca. Mas se eu tiver que ir embora, não se apresse, não tema que eu não volte. Sou imprevisível como a chuva de verão. Aos poucos vou arrancar suspiros apaixonados do seu peito másculo, vou te beijar intensamente como se fosse a última vez, vou te fazer entender que é pra ficar e me despedir quando tiver que ir embora de vez. E se minha estadia for te machucar, eu prefiro que você vá e me tire da sua vista, porque por mais que eu insista, só você pode saber ao que mais se adapta, o que te faz sentir melhor. É porque eu sou um porto inseguro, um lugar que você pode estar apenas por uma noite, por dias, ou nunca mais. Só não tenha medo. Seus olhos são como o pôr-do-sol, não canso de admirá-los, porque a minha alma é tocada pela infinitude desse teu encanto. Não peça pra que eu te esqueça. Viver sem teu abraço é algo que eu posso com o tempo superar, mas apagar sua memória de mim é o que de mais impossível eu temo. Você pode me dar a mão se você se sentir só. Eu posso fazer isso por você, eu posso segurar a sua mão. Só não lhe garanto dar o meu coração. É só você ir devagar. Porque o tempo trará todas as respostas, tanto as que eu procuro, quanto as que você nem pensa que existem.
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Friday, March 11, 2011
Involved and engaged
Passam-se os dias e desta vez mais devagar. Não se trata de mudar, somente de viver, de arrumar forma mais plena em se centralizar. Talvez seguir em frente ou manter-me sentada a esperar você nesse extenso gramado verde que cobre todo esse espaço do meu pensamento. E por mais que não tenha prometido a você nada mais do que agrupar em nós todos os nossos sentidos só para segurar sua mão enquanto você estiver pendurado no mesmo penhasco despencando e dizendo que só quer mergulhar para se divertir, eu ainda me disponibilizo para muito mais do que isso. E você sabe. Não querido, hoje não - eu digo. E as vezes você ignora, as vezes não, e as vezes larga a minha mão por espontaneidade e flutua, e aquele momento meu de desespero passa quando percebo que você hoje, pelo menos dentro de mim pode voar, e pode ir e voltar quando quiser, quando puder. Pois eu virei aquelas com medo de amar e você aqueles do tipo que não entende o sentido de se entregar; e a gente segue assim; nem sempre tão feliz, mas segue assim.
Pegue seu avião e venha para cá. Depois da colina eu ainda posso te mostrar que honestamente porém, há algo mais vivo para ser vivido, algo novo para nós dois e talvez seja hoje que chegaremos ao infinito. Mas se vira as costas para mim eu até poderia correr, mas não querido, hoje não. Pois se queres um tempo por mais que demore a passar com o vento eu entendo. E então você pode ir, mas não para sempre. Para sempre não. E não me pergunte os porquês, até mesmo porque eu não os tenho e se tivesse não os diria a você. Eu fiz os biscoitos, pus a mesa e liguei a música, você poderia aparecer aqui hoje, só hoje e eu não me importaria com essas roupas largas, o pouco espaço e minha não convencional face de motel fechado. Na verdade eu estou dizendo isso tudo só para conseguir uma companhia. Não quero de você uma mente iludida.
Pois eu gosto quando ri das minhas caretas, quando pego o seu olhar a observar as minhas poucas tatuagens e quando diz que sem elas talvez eu não fosse a mesma. Gosto também quando esquece que sua casa existe e dorme por três dias aqui, e quando diz que envelhece quando seus dedos enrrugam no banho e que queria poder envelhecer na verdade somente assim, e me faz feliz ao me acordar com o seu 'vamos caminhar' e eu digo 'Não querido, hoje não' e você se acomoda, você aceita e você deita e se deleita comigo a ler poemas velhos para você de um tempo em que meus pensamentos ainda eram pequenos demais e se retiam a turbilhões não elaborados.
Mas eu não quero que vá embora. Não definitivamente. Portanto vá para a casa, trabalhe e viva só pelo prazer das outras palavras ditas de outras pessoas em outros dias. Mas volte quando puder; ou quando cansar da sua vida e quiser por mais algum momento fazer parte da minha.
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Hey boy, I really wanna be with you...
Eles estão apaixonados, mas ainda não sabem. Na verdade, eles estão juntos sempre, mas isso eles sabem muito menos. Ela já cansou de observá-lo pela rua, andando sozinho, pensando na vida e em quais decisões tomar ou como deve proceder em relação a garota que ele gosta, antes de adentrar pelo prédio no qual ele está se aperfeiçoando de certa forma para honrar algo muito maior do que uma carteira de trabalho (é o que ela acha). Mas ela nunca disse nada e nem procurou sequer falar com ele; pois achava que depois de tanto tempo seu rosto já havia caido no esquecimento e que ele nem olharia para seus belos olhos castanhos. Engano, o dela. Quando ele esteve suficientemente perto para olhar suas feições, ele lembrou daquela festa, daquele dia, e de como tudo poderia ter sido diferente se ela tivesse dado a ele uma chance. Ele sorriu e ela por sua vez de tão tímida que estava retribuiu com uma reação boba de surpresa e felicidade. Dai então a amizade, ou quase isso, surgiu naturalmente e está seguindo. De certa forma muito mais colorida que preta e branca e só em alguns dias da semana. Ele deu um rápido beijo nela e ela ficou estupefata e todos os turbilhões de emoções foram liberados naquele segundo de encontro de lábios que até hoje ela não sabe dizer se foi casual ou se significou alguma coisa (pelo menos para ele). Pois para ela foi como ter tido a opotunidade de voltar ao passado e resgatar algo no qual poderia ter sido vivido, mas não foi. E o destino, ou algo do tipo, em seu tom irônico brincou mais uma vez com seus 'pausinhos' e mostrou por mais uma vez que nada está perdido.
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Sunday, March 6, 2011
Eu carrego você comigo.
Eu carrego seu coração comigo, eu o carrego no meu coração. Eu nunca estou sem ele. Onde quer que eu vá, você vai, querido. Eu não temo o destino, porque você é o meu destino. Eu não quero o mundo por mais belo que seja, porque você é meu mundo, minha verdade. Este é o maior dos segredos que ninguém sabe.Você é a raiz da raiz, e o botão do botão. E o céu do céu de uma árvore chamada vida; que cresce mais alta do que a alma pode esperar ou a mente pode esconder. Este é o milagre que distancia as estrelas. Eu carrego seu coração, e eu o carrego no meu coração. Se uma imagem vale por mil palavras, por não estar me vendo agora é que preciso de mil palavras pra te descrever o que sinto. Eu filho do sol de corpo imortal encontrei em ti, uma paixão lunar. E a tua luz refletida no mar me faz querer andar por sobre as águas como se eu pudesse mesmo caminhar por sobre elas. Ah... essa condição humana marcada pela transitoriedade, esses laços que se desfazem com qualquer vento contrário, esses momentos que acabam. O mundo foi feito para girar e enquanto ele roda, tudo se transforma ou acaba. O que poderia essa minha paixão contra todas essas probabilidades? E nossa saída para essa impossibilidade terrena é o nosso destino cósmico, que sempre quis que feito duas estrelas, cada um em sua galáxia, brilhássemos. E assim desconectados nossa esperança sempre foi que os nossos raios de luz um dia pudessem em algum confim do universos se encontrar. E eles se encontraram! Por isso não te quero como um prolongamento meu, nem desejo amar-te feito uma criança, que ama pela necessidade de sobrevivência. Amo-te pelo que me faz sentir, pelo significado que dá a minha vida e pelo que vejo refletido de mim em ti. Ao unir a minha luz a tua luz juntos iluminaremos o caminho que se abre infinito a nossa frente, mesmo em meus momentos mais solitários, naqueles de mais vazio, sempre senti no fundo a sua presença, porque no fundo sempre soube que embora na distancia, jamais fomos separados...
E. E. Cummings
Adaptação: Julia Castro
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When we said 'bout love.
Participação especial: Matheus Ortiz.
Ela acorda as 6h. Ela começa o dia com aquela mesma sensação, ela se sente obrigada a fazer algo pra lutar
e correr atrás do que sente, porque no fundo ela teme que não exista um amanhã. Os afazeres do seu dia a tornam uma pessoa cansada e triste, por realizar apenas suas obrigações e não conseguir concretizar nenhuma das suas projeções. Sempre no 3 lugar, ela observa enquanto é guiada pelo mundo, através da janela parece fitar as esquinas procurando inutilmente a sua presença. Aquela única presença que é capaz de lhe trazer felicidade incessante, mas ela sabe que não o encontrará ali.
Ele acorda todos os dias, sempre com o desespero. Nem todas as suas noites são noites que se pode dormir com a mente tranquila. Ele sempre calmo, nunca demonstrou um sentimento de dor de tudo que havia passado anteriormente. Por dentro, ele tem medo, medo de que tudo aquilo que ele passou se repita, medo de um segundo erro. Em suas manhas, ele apenas reflete. Procura ter pensamentos leves mas dificilmente consegue. Sempre esteve a procura de uma pessoa que o completasse, que lhe desse a segurança de que aquilo não iria se repetir. Ele ainda tem medo, mas tem esperança de que um dia o sol venha brilhar pra ele de novo.
Ela sempre procurou um outro alguém nos alguéns que conheceu. Não um alguém em especial, mas aquele alguém que fosse somente seu. Aquele alguém que ela acharia perfeito em qualquer momento. E ele é o perfeito pra ela. Sem medidas exatas, mas ele a completa até nos defeitos. Ela sabe que é aquilo que ela quer, mas não sabe quanto a ele, se ela deve. Ela não precisa estar angustiada. Sempre foi tão linda e amada. Seu jeito tão simples chega a ser sensacional. Mas ela é tão insistente e teimosa que não faz o tipo desistente e derrotada. Ela tem muitos objetivos e o maior deles é não desistir de lutar, ela tem que ao menos tentar pra se sentir um pouco realizada. Ela quer dizer a ele o que sente. Seu medo de chegar corrói seu peito, e sua dúvida aumenta no mesmo grau que seu amor. Insanidade? Ele deveria saber que não é a única se sentindo assim. Durante a tarde ela vem tentando sufocar a saudade. Ela descansa seus pés na almofada, e enquanto inventa mil possibilidades pra chegar até lá, se sente tão inútil e intocada...
Como todo garoto, ele sente atração por garotas, mas ele ainda não achou a quem ter aquele sentimento maior, um sentimento que vale mesmo a pena. Ele quer alguém que pode lhe dar o mesmo que ele pode dar, com a mesma intensidade, com o mesmo amor. Ele está sempre rodeado pelos amigos. Sempre bem humorado, nunca demonstrou nada dessa DOR pra nenhum de seus amigos, ele sempre a deixou guardada consigo. Esperança; é aquilo o que mais o motiva à sua busca insaciável, mas o medo lhe atrapalha. Ele tem muita perseverança consigo, e vai lutar por tudo que sonha, e irá proteger a quem ama. Seus sentimentos não mentem. Ele quer botar tudo pra fora, e deixar tudo fluir, deixar acontecer do jeito que foi predestinado a ser.
Ele passa sua tarde com esses pensamentos confusos, e que lhe trazem mais medos. Deixa seus pensamentos irem alem da perfeição de estar com alguém. Ele sente um aperto no coração, se sente solitário.
No fundo ela só espera angustiada que ele fale o que sente. Ela sabe que pode ser aquele alguém exato que ele procura. Ela pode ser o encaixe, aquilo que falta pra felicidade dele, praquela felicidade toda planejada pros dois. Ela só espera um passo dele pra continuar, sendo isso positivo ou não. Ela quer que ele diga que a ama, ou que peça pra que ela o deixe em paz. Ela deita a cabeça em seu travisseiro e pensa em tudo, em todos os planos que já fez e fracassou, em tudo que tentou e não deu certo. Ela não poderia estar errada dessa vez.
Com todo aquele sentimento que ele está, ele pensa sem cansar, sobre tudo o que ele sente por ela. Não são exatamente pensamentos, e sim uma projeção de momentos em que ele finalmente fala pra ela que a ama de verdade. Essa foi a conclusão que ele teve depois de tanto pensar. Ele ainda tem medo, mas está prestes a fazer aquilo que ele realmente quer... Apenas dizer a ela um simples “eu te amo!” e não pensar em nada mais, só em falar seus sentimentos para ela, sem pensar nas conseqüências. Ele estava certo disso.
Ela pensa em desistir sem tentar mais, porque acha que se ele quisesse sua comapnhia ele teria solicitado. Ela caminha até seu quarto, deita a cabeça no travesseiro e dorme, sonhando com um novo dia e criando novas expectativas. Ela sonha apenas que tudo dê certo, e que se não for dessa vez, será de uma próxima e assim sucessivamente. Ela não desistiu do amor. Ela apenas desistiu de tentar ser amor, agora ela apenas vai deixar que as coisas aconteçam sem que ela force nada. O que tiver de ser e o que tiver de se fazer, assim será. Ela fecha os olhos então, e num sono bem leve, pensando em ser feliz ela começa a sonhar...
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Days like masquerades
Apesar do escuro, as luzes brilhantes e tão coloridas me ajudaram a enxergar seus traços delicados. Eu dançava conforme o ritmo pedia até então, mas quando a avistei meus pés descompassaram e eu já não era mais comanadante daquele corpo desgastado por decepções. O som estava alto, mas meus olhos estavam vidrados naquela garota, e eu pude ouvir a sua risada estonteante. Ela parecia brilhar, mais que qualquer outra garota, mais que qualquer estrela que aparecesse no céu naquela noite. Fui chegando perto, curioso para ver o rosto que se escondia atrás de tanta penugem, de tanto material sem importância. Ela não precisava de fantasias para ganhar a noite, porque ela foi a única que me fascinou durante o baile. Me aproximava sem deixar transparecer, não queria ser assim tão descarado e já me dizer apaixonado por alguém que eu nem havia visto o verdadeiro rosto. Me aproveitei da situação, ela estava dançando sozinha, meio perdida. A convidei pra dançar. As vozes ecoaram, as luzes ficaram foscas e eu tonto, gelado de amor. Mas meus sentidos voltaram à tona quando aquela voz macia e desejável me deslumbrou com um tímido 'Sim'. Eu não tinha jeito para chegar, mas mesmo assim ela estava cada vez mais dentro do meu corpo; minha mão deslizava pelos seus braços enquanto sua delicada pele ficava arrepiada. Pude notar que ela fechou os olhos, eu me aproximei, regogizando de sua fraqueza momentânea e colei o meu rosto no dela, sentindo toda a sua respiração quente e ofegante. Levantei seu rosto com um toque no queixo e a beijei. Parti para um lugar longe da terra, e eu juro que a vi voar e pousar sob as nuvens, seus pés descalços, todo o tempo do mundo e nenhum lugar para ir. Sentia o gosto de seus lábios cheios e avermelhados, me deliciava no perfume de frutas que vinha de sua pele. Toquei seus cabelos, foi um passo chave para as coisas melhorarem. Aproveitei a noite, colei em seu corpo cheio de formas, delirei e a fiz delirar de amor. Um amor à primeira vista, sem nenhuma cobrança ou restrições; apenas amor com amor em seu termo completo.Ela me envolveu num abraço forte, apertando meu corpo contra o seu, pedindo em gestos pra que aquele momento nunca acabasse. Eu estava feliz, mas triste, atormentado por não saber quem ela é, e por ter sentido naquele beijo desconhecido aquilo que eu sempre quis sentir na minha vida. Não era só desejo, mas algo impossível de explicar em palavras. Depois de algumas horas ela se virou e foi embora, e eu não sei quem ela é. Não posso procurar por ela, porque sinto medo de acabar com as lembranças boas, de desgastar o sentimento bom que tivemos. Não sei como procurar por ela, porque mal conheço o seu rosto. Mas se ela passar perto o suficiente de mim, mesmo que esse perto seja longe o suficiente pra eu ter que correr até ela, eu reconheceria o seu cheiro, eu reconheceria os seus gestos e a sua risada que me deixou paralizado. Então eu a beijaria, e saberia - sem dúvidas - que era ela a garota que levou meu coração embora no baile.
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Waiting for the end.
De repente, o mar bravio. Minha memória escassa, eu pouco lembrava como havia chegado ali. Meus pés nús escorregavam no lodo, meu vestido encharcado pela tempestade que caía de nada adiantava, meu corpo estava à mostra. A furia da água se jogava pra cima de mim, e eu sentia medo. Me perguntava como pude ter me deixado levar até ali, já que sempre soube que correria todos esses riscos; eu sempre vejo as nuvens carregadas no céu, independente do quão longe elas estejam da vista humana. Agora eu estava desprotegida, sem saídas em meio ao mar revolto, sentada numa pedra grande que se encontrava tão decrépta e isolada que em mim nem brotavam as esperanças. Eu queria sair viva, mas ninguém imagina o quanto é dificil se sentir perdida. Eu estava sozinha, havia sido traída por mim mesma e por pessoas por quem daria a vida. Aos poucos as coisas vinham de relance na minha mente, um fato ligado ao outro: uma catástrofe. Tomavam-me o ódio e a angústia de não saber como lidar com o acontecido, mas meu peito se enchia de vontade de sair ganhando desta vez e mostrar a minha verdadeira face, para provocar a desordem e o confronto, eu tinha sede de ser a guerra. Fitei o balanço das ondas, e em toda a sua medonha estratégia de devastação. Estranho mas eu observava atentamente, querendo respostas e até mesmo ajuda. – Me joguei no mar. Quando você sente a morte na pele, todas as soluções para todos os problemas aparecem. Aqueles pequenos problemas deixam de ser problemas. Os enormes rumam a uma solução prática. As perguntas nunca respondidas ganham respostas óbvias, mas ninguém nunca pensou nelas. As faces são descobertas, as máscaras transparecem. Você lembra de pessoas que nem achava que existissem mais. As risadas mais intensas que já deu ficam ecoando em sua mente. Na frente de seus olhos, um único sorriso, o que mais marcou, mas que você nunca se deu conta. Seu corpo sente o toque do abraço mais quente. Você identifica o cheiro suave, que te faz sentir desejo e conforto numa só tacada. Você sorri, tenta voltar, mas sabe que não conseguiria. A água começa a invadir os seus pulmões, você sabe de tudo, como agir minuciosamente em cada situação, e se sente tolo por não ter pensado antes. Mas tem a consciência que jamais saberia se não tivesse se jogado e entregado a sua própria vida. Você mentaliza o perdão que deveria ter pedido a cada pessoa que machucou mesmo quando sem querer, e o que você não deu quando seu orgulho falou tão alto que te induziu a ser rude. Você se sente tranquilo e ao mesmo tempo impedido, porque você sabe, e as pessoas não. Se você morre, a sua imagem na cabeça delas continua a mesma. Se você está morrendo, a imagem que você tem delas é diferente, e você daria tudo pro seu corpo não ser fraco nesse momento. A natureza me sufocava, eu não tentaria voltar. Mesmo que esperasse ali naquela pedra por dias, eu jamais conseguiria. Então eu afundei, sabendo a verdade. Planos mirabolantes, estratégias de A a Z. Não foi tão fácil de consegui-las. Eu me doei por um bem/mal maior. Pude sentir as algas por entre meus dedos dos pés. Em volta do que eu via, tudo escuro, e no meio uma luz brilhante que me pedia pra acreditar. Eu acreditava, desacreditada e sem muito sentimento ilusório. A luz foi partindo-se junto com minha força e consciência, dividiu-se em pequenas partículas de luz intensa e dançavam na minha frente. Iam se apagando uma por uma, a água invadia minhas entranhas, eu podia sentir. Meu corpo balançava de forma brusca, eu estava sendo levada, e nem eu mesma me preocupava em trazer de volta. Sentir a fúria na pele, a sabedoria em mente e nenhuma coragem ou sinal de luta por sobrevivência. Eu estava testando o mundo, e se saísse seria outra pessoa, e os que temiam teriam motivos pra ter medo de mim. Dócil e afável eu seria com os escondidos que sempre estiveram tão próximos do meu peito. O mundo explodiu, meus olhos fecharam sozinhos e a escuridão predominou quem eu sou. Eu fui testemunha da dor, eu ouvi o silêncio gritar alto e dolorido. – Gaivotas fazendo escândalo acima de mim, como eu podia ouvir? Permaneci de olhos fechados, tateei o chão áspero em que eu estava deitada. “É um delírio” - sussurrei. Ouvia vozes, mas desconfiava da minha sanidade. Era tudo muito vago, muito impossuível pra ser real. Não podiam ter se passado mais que segundos, pelo menos parecia que eu tinha acabado de fechar os olhos e deitar na cama do infinito. Desconfiava do que era verdade agora. Peça por peça se juntou na minha cabeça. Eu sobrevivi. E eu sabia de tudo. Eu faria as coisas certas e as coisas erradas que nunca foram feitas. Eu tinha descoberto que nunca era tarde demais. E pra sempre, tão distante que ninguém pôde provar que existe, porque não conseguiu chegar até lá. Abri meus olhos devagar, eles doíam. Mesmo embaçado, vi os pescadores a quem eu devia minha vida. O barco cheirava a peixe, mas nada era pior do que o que eu senti antes de tudo. Mil motivos para estar triste e um único pra estar extremamente feliz por ter subido o nível intelectual. O sobre-humano. Sorri maliciosa - nada como mil idéias, a vingança, a sabedoria total e muito tempo de sobra pra planejar perfeitamente. Eu me transformei em uma granada, e qualquer hora eu puxaria o pino. Destruindo tudo, sem dó ou remorso algum; apenas com um sorriso estampando minha face impecável.
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Wednesday, February 23, 2011
With someone else
Justificativa. Não. Uma iniciativa desenfreada e moderadamente insensata e sem razão. Até porquê não havia justificativa alguma ali. Eu pinto o seu rosto na tela bege presa à madeiras de suporte que até hoje não sei o nome e fico imaginando que talvez hoje não seja esse mesmo sorriso, que exponho nessa pintura amadora, que você exibe quando anda pela rua. Na verdade eu nunca saberei. E talvez eu nem queira, só para me polpar em fazer outra pintura com sua verdadeira face. Prefiro guardar essa na qual os pincéis sujos delineiam tão levemente e faz a sua figura dançar dentro dos meus olhos, cabeça e mente. Eu sei que você está com outro alguém. Usando uma aliança prateada e consideravelmente grossa em seu dedo anelar direito e que seu novo par parece ser mais atraente do que eu porém menos sensível. Eu sei, mas não queria te dizer. E nem quero.
Hoje estou afastada da condição de pessoa que pode amar ou gostar de alguém; isso para mim se tornou muito vago. Prefiro o canto solitário e harmônico de um coração que só tem a si para contar do que o coral de brigas que se fazia som com nossos devaneios desnecessários e constrangedores. Eu fiz canções novas em violões antigos e fiz nova história em cima das bonitas músicas feitas para você. Isso não apaga o que houve no passado mas faz com que fique agradável aos ouvidos. Não sei definir se foi bom ou ruim para mim. Na verdade hoje eu não sei mais de nada, acho tudo muito inviável, acho que nada mais vale a pena em relação a ter alguém. Quem sabe a vida muda tudo o que penso enquanto menina de dezessete ou simplesmente confirma minha teoria eremita de seguir a vida. Nunca se sabe qual dos lados da moeda irá cair, então cabe a mim esperar. Enquanto eu termino o sombreado que seu nariz faz quando seus dentes claros que chega a cegar aparecem quando sorri, penso que quero você de fato feliz. Ora, eu sei que já fui egoísta, mas como mudei para certas coisas mudei para isso também. Se não se importa, é claro. As mariposas que estavam descansando na minha cabeça bateram asas novamente para tentar escapar do caos que está se tornando isso aqui. Não as culpo, coitadas. Mas eu preciso delas, elas mostram com seu frenético modo de tentar fugir que devo parar, raciocinar mais uma vez e ver que estou fazendo errado, de novo.
As coisas lá fora estão ficando cada vez maiores, e as vezes me assusto com as proporções que certas situações tomam de fronte a tantas coisas perdidas e jogadas pelo chão. Cartas, músicas e fotografias amareladas de nossos antepassados sendo substituídas pelo colorido das nossas memórias, pelo o que deixamos para trás, e que um dia ficará exatamente como as que estão sendo trocadas aqui. Estamos deixando uma trilha, um caminho e um seguimento. E quem passará por aqui verá que tanto fui feliz e tanto sofri como qualquer outro ser que viva esse emaranhado de particularidades chamado vida. E convenhamos, vida é algo muito vago. "Caminho para o eterno" é melhor, dura mais, parece mais certo. "Vida" assusta, machuca e distrai. O caminho a gente segue, haja o que houver. E se você não quiser parar, não há quem te pare, e se você quiser tentar, ninguém vai entrar na sua frente. E eu sei o quanto você está fazendo isso. E me orgulho disso, sinceramente. A força maior que rege essa vida sabe o quanto quero saber das coisas boas que se passam por ai. Mesmo eu sabendo que jamais saberei. E o que me resta não é lamentar em um quarto com tintas e telas, nem chorar ouvindo as músicas que eram nossa trilha, e sim olhar para o céu laranja que emoldura a minha visão me levando ao mais longe do horizonte e o mais perto de mim, de novo e de novo até eu acabar de ver o seu rosto reluzir para mim com os cachos opacos do seu cabelo, nariz pontudo e a fala que no retrato me parece muda, mas que diz tudo para mim. Você é dela, e eu quero que corra. E rápido. Ela te espera, assim como eu esperei, mas não do mesmo jeito, e sim diferente e eu sei que ainda verá nos olhos dela o meu jeito que está sempre querendo-te todo o bom e possível bem. Porque o caminho a gente segue, e a gente vive, a gente se alinha a ele, haja o que houver.
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Saturday, February 12, 2011
He looks so adorable.
O cenário era tão clichê que fez-se bem autônomo. Algo diferente em estar ali, daquele jeito e naquela companhia tão, digamos, surpreendente e um tanto inesperada. Jamais pensei que te encontraria ali, e por muito tempo achei que nunca mais lhe encontraria em lugar nenhum. Eu estava sentada na beira o píer, e de longe meus ouvidos testemunhavam pegadas leves, porém o som era conhecido à minha audição. Encantada pelas gaivotas que voavam sobre a água na busca do peixe de cada dia, não consegui me virar pra ver. Não me interessava, pois o desânimo já havia tomado conta de mim. Você se jogou na água, e espantou os pássaros que eu admirava a horas. Fiquei bastente irritada, e num súbito de ódio enchi meus pulmões para dizer o primeiro palavrão que me viesse a cabeça. Mas meus olhos não acreditavam no que eu estava vendo. Você emergiu e deu um sorriso molhado pra mim. Em um instante consegui sentir ódio e amor, o que me leva a acreditar que esses dois não são tão diferentes assim... Você voltou pro píer, se esticando, e sentou ao meu lado. Fitou os olhos no pôr do sol, ficou em silêncio por alguns minutos e depois me olhou, com aquela mesma sede de saber a quantas anda a minha vida, com aquela mesma ânsia de me proteger de qualquer mal, aquele mesmo instinto de me acolher e mostrar que tudo está bem, porque você chegou. E era realmente assim que as coisas funcionavam. Você me sorriu, e todo molhado me ofereceu os braços pra eu me aconchegar. Podiam se passar séculos, mas seríamos sempre os mesmos, sem aquela timidez que havia passado há tempos e pra sempre, sem aquela cobrança proposital que os amigos fazem. Era assim, de tempos em tempos, esperar o improvável pra viver de novo aquela sensação. Um olhar bastou, pra meu peito sentir-se refrigerado de novo. Outra vez, eu e você, em um lugar que jamais pensariamos. Era sem avisos, sem compromisso. Você vinha pra eu saber que eu ainda te tinha, e pra ter certeza de que eu seria a mesma pra você. Passamos a tarde conversando, vimos a chegada da lua cheia. Contemplamos uma dança dos astros, e foi tudo tão magnífico quanto saber que você sempre seria aquela pessoa sensacional. O seu jeito carinhoso, minucioso e meticuloso de falar sempre me deixou bastante segura de tudo. E a cada aparição sua, eu tinha a certeza de que somente com você que eu poderia contar. Mais ninguém. Pena que você não está quando eu quero, mas ainda bem que você aparece quando eu preciso. "Eu te amo, até algum dia." Você disse. "Eu te amo também, espero aqui." Eu respondi. E se virou desaparecendo na fumaça da brisa, abrindo um caminho de expectativas para a nova volta, o novo reconhecimento daquele que é tão importante pra mim, mesmo quando eu penso em deixá-lo pra trás por essa mania de sumir, e mesmo quando eu detesto assumir que sem você a minha vida não tem a mesma graça.
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Sunday, February 6, 2011
A memória e o passado.
Essa é a história, pelo menos parte dela, sobre uma menina, pelo menos ela era na época, que deixou coisas pendentes no passado. Meu relato não passa de uma simples junção de coisas nas quais presenciei na vida dela. Mas tudo isso que será dito foi antes dela ter um filho e um quase casamento substituído por um noivado estável.
Ela sempre teve traços louváveis. Escrevia, ouvia músicas que fugiam de seu tempo e sempre que se via sozinha em seu pequeno apartamento colocava blues nas alturas, ouvia e tentava imitar os tais. Ao que me remete, ela sempre foi apaixonada. Mas apaixonada por sua missão: a de ajudar os caras que cruzam seu caminho. As vezes ela se apaixona de verdade por um deles, e é difícil dizer adeus. Porém, ela sabe que é preciso. Bom, foi a partir dai que surgiu o problema. E bom esse "problema" tem até boa fisionomia: Não muito alto, pendia entre 1,70 e 1,75m , cabelo castanho escuro puxado para o preto, não muito branco nem muito moreno e um par de olhos verdes que pareciam ler a alma e um sorriso tão contagiante como frio de inverno, mas não era frio; era caloroso e fazia com que ela quisesse o beijar toda vez que ele sorria. Ela o ajudou; encontrou-o no momento crítico de um término de relacionamento e não por coincidência depois que ele se afastou, quando o primeiro término dele havia sido resolvido, ela voltou a o encontrar quase um ano depois no mesmo momento crítico.
Na verdade ela sempre achou que ele criava problemas só para ela poder resolver. Ela sempre ria ao pensar nessa possibilidade "Que absurdo", dizia. Mas no fundo ela sempre soube que era isso. E mesmo que não fosse ele que fizesse isso propositalmente o destino poderia estar fazendo o trabalho dele e colocando essa situação entre os dois. Verdadeiramente ela, em todo esse período desde que o conheceu, nutriu por ele sentimentos que beiravam a um amor fraterno, um amor um pouco mais avante do que o amor amigo. Ele por sua vez sempre mostrou um amor amigo incondicional, ou quase, o que é bem diferente.
Desde quando ele se afastou pela primeira vez, ela percebeu que poderia perdê-lo a qualquer momento, e depois de um tempo começou a se acostumar com a idéia. A partir dai começou a aproveitar ao máximo toda e qualquer oportunidade que tinha de falar com ele. Não, eu não chamo isso de obsessão. E se você acha isso está tendo uma visão muito deturpada do fato. Defino isso como uma espécie de capricho. Um capricho que só se pode ter poucas vezes, e que se você não aproveita fica se arrependendo e se lamentando para sempre.
Então, certo dia, ela decidiu que de uma vez por todas ia se afastar dele. Não que ela estivesse cansada de ser ser ombro amigo ou de ajudá-lo; mas estava frustrada pois ele nunca percebia que ela poderia ser mais do que isso. Pensando nisso juntou seu orgulho e pôs em uma mala no inconsciente e foi embora. Passou a observar o que acontecia com ele de longe, sem muitos detalhes, talvez para não sofrer. Com o passar do tempo mesmo vivendo outras coisas da vida ela sempre sentiu que faltava algo. Algo do passado, algo que ela não havia esquecido, mas havia deixado para trás. E toda a vez que ela lembrava dele, ela desabava por dentro e o mesmo questionamento ressurgia como uma velha fênix recém queimada renascendo das cinzas: "Será que ele se quer lembra de mim?".
Ele lembrava. Lembrava mais dela do que qualquer outra coisa e ele sofreu quando ela partiu sem ao menos dizer adeus. Mas isso ela nunca soube. Porém um dia saberá. E talvez não seja tão tarde para ser percebido que um ombro amigo possa ser muito mais isso.
Quem sou eu? Bom alguns me chamam de consciência, outros de memória e outros me chamam carinhosamente de sentimento. Mas não gosto de me dar nomes. Eu simplesmente permaneço em hiato na sua cabeça. Nessa caso, na cabeça dela.
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Saturday, February 5, 2011
The Guy Of The Dawning
para entender esse texto leia primeiro: The Guy Of The Sunset
Ele voltou, e eu não acreditei. Passou-se muito tempo desde sua partida, porém agora, parado na minha frente conversando livremente comigo ele ainda é o mesmo. Confesso, de fato, que a princípio fiquei sem reação. Mas ora, como não ficaria? Havia eu pensado todo esse tempo que tinha perdido uma das poucas pessoas que me compreendia. E não tão tarde depois, pelo menos não para a vida, ele voltou impecavelmente novo, porém ainda ostentando seus traços antigos. Eu não vestia roupa nova e nem estava arrumada. Na verdade estava comumente jogada a rotina, com minhas roupas sem graça e repetidas. Mas eu estava bem, pois ele não se importava. Na verdade, ele nem ligava para o que eu estava vestindo. Ele lembrou de tudo, lembrou-se e me fez lembrar junto. Lembrou de quando pulei da pedra alta em direção ao mar, me lembrou das nossas conversas, nada sensatas e tanto quanto divertidas. Lembrou de coisas nas quais pensei que haviam sido esquecidas pelo tempo, por mais curto que esse tempo fosse para se esquecer. Ele estava sentando comigo, na pedra onde nos conhecemos e onde tudo começou. E mais uma vez eu não pude acreditar. Então ele me contou sobre a menina que o levou embora. Aquela que pulou de de outra pedra alta, e que de certa forma o conquistou. "Triste fim", pensei. Ele é uma das melhores pessoas que conheço e ela tratou-o como água do mar batida em um daqueles paredões imponentes que rodeavam a costa e escoava de volta à margem. Mas não falamos muito dos tristes fins de um tempo no qual não nos comunicávamos. Propus estão para que ele pulasse da pedra alta comigo. Direto para o mar e para a renovação. O céu estava alaranjado; mas não era o alaranjado de um crepúsculo como aquele quando ele se foi. Era o amanhecer, a alvorada de um novo dia. Deixei o momento parar no tempo e fiquei a observar aquela parte do dia que tanto me encantava, assim como o seu contraste no fim de tarde. Suspirei pois me faltava o ar e segundos depois ele sorriu talvez me achando esperta por aquela proposta ou tola demais por propor algo com ele. O observei em silêncio e lembrei quando ele, por mais uma vez, disse que eu ser observadora é uma "característica legal". Me permiti sorrir junto com ele. A proposta ficou em aberto e voltamos a conversar. Eu estou a aguardar a resposta. Afinal, somos uma multidão de poucos, uma exceção a regra e o começo de uma trajetória onde não se vê o fim.
Ele voltou, e eu não acreditei. Passou-se muito tempo desde sua partida, porém agora, parado na minha frente conversando livremente comigo ele ainda é o mesmo. Confesso, de fato, que a princípio fiquei sem reação. Mas ora, como não ficaria? Havia eu pensado todo esse tempo que tinha perdido uma das poucas pessoas que me compreendia. E não tão tarde depois, pelo menos não para a vida, ele voltou impecavelmente novo, porém ainda ostentando seus traços antigos. Eu não vestia roupa nova e nem estava arrumada. Na verdade estava comumente jogada a rotina, com minhas roupas sem graça e repetidas. Mas eu estava bem, pois ele não se importava. Na verdade, ele nem ligava para o que eu estava vestindo. Ele lembrou de tudo, lembrou-se e me fez lembrar junto. Lembrou de quando pulei da pedra alta em direção ao mar, me lembrou das nossas conversas, nada sensatas e tanto quanto divertidas. Lembrou de coisas nas quais pensei que haviam sido esquecidas pelo tempo, por mais curto que esse tempo fosse para se esquecer. Ele estava sentando comigo, na pedra onde nos conhecemos e onde tudo começou. E mais uma vez eu não pude acreditar. Então ele me contou sobre a menina que o levou embora. Aquela que pulou de de outra pedra alta, e que de certa forma o conquistou. "Triste fim", pensei. Ele é uma das melhores pessoas que conheço e ela tratou-o como água do mar batida em um daqueles paredões imponentes que rodeavam a costa e escoava de volta à margem. Mas não falamos muito dos tristes fins de um tempo no qual não nos comunicávamos. Propus estão para que ele pulasse da pedra alta comigo. Direto para o mar e para a renovação. O céu estava alaranjado; mas não era o alaranjado de um crepúsculo como aquele quando ele se foi. Era o amanhecer, a alvorada de um novo dia. Deixei o momento parar no tempo e fiquei a observar aquela parte do dia que tanto me encantava, assim como o seu contraste no fim de tarde. Suspirei pois me faltava o ar e segundos depois ele sorriu talvez me achando esperta por aquela proposta ou tola demais por propor algo com ele. O observei em silêncio e lembrei quando ele, por mais uma vez, disse que eu ser observadora é uma "característica legal". Me permiti sorrir junto com ele. A proposta ficou em aberto e voltamos a conversar. Eu estou a aguardar a resposta. Afinal, somos uma multidão de poucos, uma exceção a regra e o começo de uma trajetória onde não se vê o fim.
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Tuesday, January 25, 2011
Eu também.
Eu estive presa em meus próprios medos por muito tempo. E me perguntei se eles nunca iriam desaparecer de mim. As coisas vem acontecendo tão repentinamente que nem sei mais no que acreditar. Eu poderia dizer que ele me conquistou, mas também poderia dizer que ele simplesmente deu um bom flerte. Na verdade, eu sou muito segura de mim para cair em qualquer cantada barata e sei esconder muito bem minhas emoções ruins quando elas não tem que vir a tona. Mas de alguma forma com ele não foi assim. Eu segui totalmente meu oposto, e percebi que com ele eu me tornava alguém totalmente diferente.
Eu queimo o incenso no meu quarto fecho os olhos e viajo até onde quero sem ponte aérea, passagens, malas e o mais importante de tudo, sem lembranças ruins. Me sinto livre, me sinto leve. Porém há um peso, um peso no qual eu tenho que carregar e que até hoje não sei o objetivo. Talvez eu nunca saiba.
E então, certo dia ele passou de carro naquela extensa rodovia bem ao meu lado e buzinou para mim. Eu acenei de volta e então ele parou, deu ré e voltou a ficar ao lado do meu corpo desligado de toda gravidade existente com aquela enorme máquina preta cromada e cheirando a nova. Então ele saiu do carro e veio ao meu encontro.
"Eu te amo" - Ele disse.
"Eu também" - Respondi.
Nos beijamos, e então senti o cheiro da despedida. O cheiro do couro da sua jaqueta, o cheiro da sua loção pós-barba que o tanto fazia homem, e seu hálito quente e cheirando a menta. Ele sorriu. Depois disto, nunca mais o vi novamente. Então, percebi que estava em uma dessas minhas viagens. Em um desses devaneios e que eu precisava voltar. Voltar para uma realidade que eu não acreditava que fosse minha. Pelo menos não sem ele. ♥
edição e re-postagem.
original no Julietas do Século 21
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Thursday, January 20, 2011
Capítulo Primeiro.
O começo do que poderia ser uma boa estória.
Maebe sentou-se sobre uma pedra cinza que se encontrava ao lado de um grande rio de extensão que se comparava ao infinito. Levantou o olhar e acompanhou três micos sacolejarem os galhos de uma árvore acima de sua cabeça. Ainda era cedo mas Maebe se levantou com grande energia e vontade que foi acompanhado juntamente com os raios de Sol que despontava nos morros e agora iluminava toda a extensão da planície coberta de flores de diversos tipos. Algumas eram nativas daquele lugar, o que só embelezava mais a vista naquela manhã tão amistosa.
Ao terminar de observar aquela paisagem-pintura, decidiu nadar um pouco. Certificando-se que não havia nenhuma carroça ou caravana a passar pela estrada despiu-se deixando somente uma ceroula e uma blusa branca que pendia acima da barriga colada para sustentar os seios. Deixou o que despira perto de um tronco de árvore meio oculto pela folhagem do chão. Com os dedos do pé, encostou na água para testar a temperatura e viu que estava agradável para um mergulho. Foi descendo gradualmente o corpo pela margem do rio e adentrava a passos curto até a parte que fazia com que a água encostava-lhe à cintura. Passou as mãos na água como se quisesse acariciá-la e num súbito mergulhou de forma teatral como as sereias que lia nos livros, secretamente, no escritório de Hizibar. Ficou submersa por segundos cruzando até o outro lado da margem. Por mais extenso que fosse, sua largura não passava de meros dois metros. Era tranquilo, sem forte correnteza, o que fazia com que os "banhos" fossem bastante comuns.
Maebe emergiu e seus longos cabelos cor de mel foram-lhe jogados contra as costas, como um espelho refletindo àquela luz matinal.
Sentada agora na outra margem do rio e com os pés tocando a água, Maebe olhou para o outro lado e então percebeu que havia alguém parado a observá-la. Com uma perna apoiada sobre uma pedra, o homem até então imóvel, observava Maebe de forma doce, o que a deixou menos apreensiva.
- O que quer estranho? - gritou ela pondo-se de pé.
- Ora, por Deus. Não sou um estranho. - então caminhou para perto da margem.
- Não respondeu a minha pergunta.
- Ah sim, claro. Não quero nada. Só vi quando mergulhou e fiquei a admirar. Estava caminhando por perto somente.
- Estava me seguindo, estranho? - bradou Maebe irritada com o constrangimento.
- Logicamente que não. Mas se continuar a me chamar de estranho talvez comece a segui-la. - Terminando a fraser gargalhou gostosamente.
- Ora mais que abuso! - falou Maebe em tom mais baixo, porém ainda audível.
Mergulhou de volta à outra margem e subiu alcançando a parte rasa.
- Pensei que a esta hora alguém pudesse ter um momento de paz. - e lançou um olhar furtivo ao jovem parado a sua frente antes de bater o pé molhado no gramado ao buscar suas roupas perto do tronco de árvore.
O estranho sentou-se na mesma pedra que Maebe ocupara minutos atrás.
- Diga, qual é o seu nome? - perguntou ela quando terminou de calçar os sapatos marrons.
- Meu nome é Andréius. Mas pode me chamar de André.
- Pois então Andréius - Maebe descartou toda e qualquer possível intimidade - O que faz a essa hora da manhã nos arredores do Rio Tahlis?
André deu uma risada abafada, achando graça da mudança repentina de humor da jovem que a minutos atrás parecia tão serena ao nadar pelas águas cristalinas do rio.
- Venho atrapalhar os banhos matinais das moças! - E bradou uma espada invisível como se aquilo fosse algo absurdamente honroso.
- É acho que deu para reparar isso. - Maebe penetrou-o com o olhar.
- E a senhorita o que faz a essa hora do nascer fora da cama e longe de casa?
Maebe que mesclava a raiva da interrupção do seu banho e a graça que também achava da situação respondeu irônica:
- Venho ter os meus banhos atrapalhados por rapazes perdidos.
Arrumando os cabelos ainda molhados que ficaram bagunçados enquanto colocava as roupas, saiu andando em direção a estrada que seguia-se longa até a sua casa. O rapaz ainda rindo do 'rebater' de Maebe gritou antes que ela sumisse nas árvores:
- Ei moça! Ainda não sei o seu nome.
Maebe se conteve, parando em súbito e então vencida olhou para trás.
- Maebe. Maebe de Hizibar - E deixando o jovem sozinho à margem do rio pegou a reta e foi para casa.
É comum dizer depois do nome próprio o nome do pai; ou dá mãe se não houver a figura paterna, como se aquele filho fosse propriedade daqueles seres. O que realmente é até o momento de ter idade suficiente para abandonar o título. Logo, isso aconteceria com Maebe. Porém ela ainda era uma Maebe de Hizibar e deveria se apresentar como tal.
Ao chegar em casa fez todas as suas tarefas diárias juntamente com sua irmã Mazini e deixou levar o pensamento esquecendo o episódio no rio com Andréius.
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Wednesday, January 19, 2011
Gênio
Eu coloco a música no talo e danço. Sim, eu danço por nós dois, para te trazer de volta sendo envolvente e serena. Talvez você não perceba, mas eu estou mais perto de você do que imagina. Eu ainda passeio nos seus pensamentos afastados pelo tempo esperando o momento em que farei o caminho de volta e te encontrarei sorrindo para mim. Vamos, encoste seu corpo no meu, eu sei o que você quer e você sabe que sou a única pessoa a te fazer tanto bem assim. Me beije, como fez um tempo depois de ter me conhecido. Eu posso estar distante e ela perto demais mas você sabe quem te deseja assim, desse jeito, como o médico e a paciente no consultório lembra-se? Creio que não. Ela pode ter te feito esquecer metade das boas lembranças mas eu sei que estou ai, e você aqui. Você só precisa acordar e vir aqui, me abraçar, e quem sabe algo mais do que isso. Eu posso ser sua gênia garoto e te conceder três pedidos. Mas me inclua em um deles. Pois sei que você ainda deseja mais uma noite na piscina brincando e jogando água um no outro e aquele beijo molhado. Estamos confusos, e eu cansei de andar por essa confusão em sua cabeça meu querido. Eu vou fazer algo pra te estarrecer, serei eu, mas de uma forma melhor, pode acreditar. E eu sei que você gosta disso, dessas surpresas inertes e confesso, que gosto de fazê-las assim, do meu jeito. Você pode ter escolhido se distanciar, mas eu escolhi ficar e esperar pra te encontrar; melhorada pelo tempo e te deixar assim, de um jeito que não sei explicar, de um jeito que só você sabe fazer. Eu posso ser sua gênia garoto, e mexer com esse seu gênio concedendo os desejos que eu mesma causei.
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Monday, January 17, 2011
Um café, por favor.
São as mesmas 16hrs43min da tarde de mais um dia comum e de mais um dia normal dentro de uma das cafeterias mais 'badaladas' da cidade. O som de Death Cab sai das caixas de madeira espalhadas pelo recinto de forma estratégica e muito bem bolada, e penso que gosto do fato do cara do balcão que agora acenou de leve para mim goste desse tipo de música. Estou entulhada de trabalho dentro da bolsa, em uma pasta que levo no braço e dentro da minha querida cabeça. A agenda cheia de anotações importantes e outras desnecessárias repousa pela mesa plana bem trabalhada que deveria ter sido comprada em um planejado só para se encaixar perfeitamente àquele lugar. Dei umas olhadas rápidas por entre as páginas rabiscadas e com um marca texto bem amarelo marquei a frase 'Jantar, na casa do Cadu às 20:00'. Se eu não fosse ele me mataria e simplesmente negaria ir comigo ao show do Sea Wolf no Sábado. O cara do balcão resolveu se mexer e vir aqui na minha mesa perguntar o que eu quero. 'Um café, por favor', eu disse e ele ficou olhando para minha cara como se estivesse preso em uma hipnose repentina. Ele voltou para o balcão e percebi que depois disso ele ficava olhando para mim de dois em dois minutos, e aquilo me irritava. Um cara alto, com botinas pretas sentou na mesa ao lado da minha e o cheiro de tabaco e bebida barata se expandiram pelo ambiente. Dei um riso murcho e voltei a atenção para a agenda como se estivesse interessante. Eu preciso relaxar, tomar umas biritas ou somente dormir por um longo período de tempo. O trabalho está me matando e eu peguei raiva de homens de uma semana pra cá (tirando o Cadu, porque ele é legal e gay). Meu café parece está sendo feito a lenha e com o fogo baixo quase apagando. Ou esse cara ta querendo me prender aqui ou a cafeteira que eles tem é um lixo. Eu fico com a primeira alternativa, a cafeteira deles reluzia de nova e metade das mesas com pessoas que chegaram depois de mim já haviam seus cafés postos, quentes e cafeinados. O cara veio trazendo meu café (percebi que era um dos últimos pedidos a serem atendidos, a cafeteria fechava às 17:00) junto com um guardanapo desnecessário. Eu olhei depois que ele se virou e ri medianamente e então ele girou o corpo novamente, vontando a minha mesa.
'O que foi?', ele disse rindo.
'Você está tensa demais... Quer sair?' eu reli o bilhete escrito no guardanapo.
Ele ficou sem graça. 'Já entendi o seu não' e se virou.
'Ei. Um café, por favor.' eu sorri. Quando ele se virou novamente eu disse:
'Mas quero um da Antlantic. O daqui demora muito a chegar'.
Ele riu e se virou. 'Espere eu fechar isso aqui'
Quinze minutos depois eu saia em um fim de tarde nublado conversando com o cara do balcão. Eu sei que ele é mais um cara, que pode ser mais um idiota, que vai me fazer chorar. Mas por enquanto ele é só um café e talvez seja nesse café que eu afogue as mágoas do idiota anterior.
re-postagem do texto que fiz para o Decepção Não Mata Engorda.
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