Era dois mil e dois. Eu tinha 8 anos e estava na segunda série. Uma infância normal, vida normal, mas nada que não pudesse mudar. Em meiados desse ano então, um amigo meu (um amigo no qual zelo por sua amizade até hoje), de nome Pedro me 'apresentou' algo que hoje é mais do que parte da minha vida; é parte de mim, parte de tudo o que me define.
P: '- Meu pai comprou uma fita muito legal pra mim!'
B: 'É? qual?'
P: 'Harry Potter! É muito legal! Pede pro seu pai comprar também'
B: 'Vou pedir!'
E foi a partir desse diálogo que tudo mudou. No mesmo dia eu pedi para o meu pai para ele comprar o vhs e no dia seguinte ele o trouxe. Capa azul, Harry com sua cara inocente e seus cabelos lisos caido na testa, Hermione com seu cabelo exageradamente cheio, Rony com seu rosto e cabelo ruivo inconfundíveis, Snape, Dumbledore, McGonagall e Hagrid com seus olhares misteriosos, Edwiges alva como a neve, a Floreta Proibida, velas flutuantes, e o mais cobiçado castelo de todos; o Castelo de Hogwarts. A propósito, a minha fita ainda vinha com um lindo e brilhante Galeão dourado e cenas inéditas.
No momento em que coloquei a fita no vídeocassete soube que nada mais seria o mesmo. Toda aquela magia, aquela música no começo e o cara anunciando em voz fenomenal 'Harry Potter e a Pedra Filosofal'. Talvez naquele momento eu não havia imaginado o quão grande seria a diferença que essa série faria na minha vida, e menos ainda que eu seguiria todos esses 9 anos sem ao menos me afastar desse meio. 'O Santo Potter' como diria Draco... Foi (e é) de fato alguém muito importante. Não somente ele, mas todos, até os maus. Aprendi o valor de ser leal, a acreditar nos sonhos, a transpassar obstáculos sem medo, a amar os amigos e aqueles que nos querem bem, a acreditar quem nem a morte nos separa daqueles que estarão sempre conosco, que há magia em tudo o que vemos, tocamos, falamos, vivemos.
Eu queria ser uma Hermione, e fui (até entrar no ensino médio! rs). Notas altas, impertinente de tantas perguntas e afins. A magia está visível nos olhos daquele que crê, e bom, essa é mais uma das coisas que eu aprendi com eles. Aprendi também que todos nós temos algo que vale a pena lutar, que tudo o que perdemos sempre volta para nós, que em nossos sonhos entramos em um mundo só nosso... E eu entrei, e ainda estou vivendo esse sonho. Mas esse mundo eu compartilho com milhões. Milhões que acompanham a isso desde que entendem-se por gente, que fazem da insônia algo divertido, perdendo noites a fio a ler os livros. Nós fãs, que olhamos para a nossa janela e caixa de correio com a esperança de recebermos uma carta de admissão à maior escola de magia e bruxaria, mesmo que tenhamos saído dos 11 a alguns anos. Ouvimos críticas, desaforos, piadas daqueles que simplesmente não entendem e (infelizmente) não passaram por tudo o que nós passamos. E saimos pelas ruas com nossos cosplays, gritando feitiços, interpretando diálogos, atuações que não seriam nem um pouco parecidas com as do Daniel, Emma ou Rupert e longe de nos envergonharmos com isso .
Olho para trás na esperança de ter tudo aquilo de novo. O lançamento dos livros, de revistas magníficas sobre curiosidades do mundo mágico e sobre coisas que viriam futuramente na saga. E cá estamos; no futuro tão esperado por nós quando crianças. Eu estou chorando agora. Mas não de tristeza. Choro pois tudo o que passei não foi em vão. O tanto que aprendi, o tanto que tenho hoje por causa dessa série. Não há fim. 'Fim' é uma palavra sórdida demais para se colocar quando o filme acabar, ou quando lermos e relermos e lermos de novo, Deathly Hallows. Crescemos com eles! Mudamos com eles, passamos da infância para adolescência, da adolescência para a juventude e eles também.
Lembro das estréias, da comoção; comoção aquela que nunca acabará dentro do nosso peito. Aquela que gritará dentro de nossos corações quando vermos que passou mas que ainda está mais do que vivo em nós.
Eu sou eternamente grata. Grata a uma mulher que com sua inteligência, graciosidade, criatividade e afins mudou para sempre a minha vida e a vida de tantos outros nesse mundo. Eu sou grata a Joanne Rowling, ou como ela quis e assim foi feito Joanne Kathleen Rowling. Eu sei que ela jamais lerá isso mas eu gostaria de dizer:
Tia Jô, obrigada por trazer tudo isso para a minha vida. Sou o que sou em grande parte pela inspiração dada a isso tudo que você criou! Eu amo você de todo o meu coração e sei que sabe também que não sou somente eu que gostaria de lhe dizer isso. Somos fruto da 'geração Potter'. Da geração de bons valores, de mágica e alegria descomunal. Pertencemos as coisas boas que assim foram postas a frente. Muito obrigada em nome de todos aqueles que te amam e que amam a melhor saga já escrita na atualidade. Você sempre está conosco e nós sempre estaremos contigo. ♥
Bom, após essas minhas curtas palavras que nunca serão lidas à Jô...
Hoje é 18 de Novembro de 2010. E hoje uma parte do início da eternidade dessa saga será exposta aos nossos olhos. Sei que isso nunca acabará. Sei que todas as vezes que precisarmos de Harry, Hermione, Rony e todos os outros, eles estarão esperando por nós de braços apertos e de varinhas na mão. Eu nunca os deixarei, e eles nunca deixarão a nós. Afinal, aqueles que nos amam nunca nos deixam de verdade!
Com amor, a todos os fãs, a saga, a Jô, ao dia de hoje,
Barbara Coulson.
