Ele era um forasteiro na cidade. Saiu do lugar onde cresceu para tentar a vida. Pra arrumar uma grana e um pé de meia certo. Ele era desapegado; gostava da estrada, e a estrada gostava dele. Ele não via problemas em dormir em uma hotel diferente a cada noite, de comer comidas de regiões diferente todos os dias. Ele simplesmente não vi os problemas. Ele tinha uma perua amarela, onde continha tudo o que ele precisava. Ele era louco pelas músicas que tocavam em seu carro e fanático pelas fitas que seu pai um dia o dera de presente da Natal quando o mesmo disse:
'Sei que um dia você será homem o bastante para entender'
E de fato naquele momento ele era. Ele teve muitos amores. Um para cada estado assim digamos. Ele sempre disse que precisava 'inovar'. Tolo. Não sei se era por causa de sua vestimenta (botina preta, calça preta, camisa branca e blusão preto) o motivo de tantas que ele conseguia conquistar. Era tudo preto no branco. Como nos contratos. E de certa forma todos os relacionamentos dele foram contratuais. 1 mês e nada mais. Essa era sua política de privacidade registrada no cartório da primeira cidade para a qual ele viajou quando adotou esse estilo de vida punk viajante. E foram assim todos os relacionamentos; todos exceto um.
Foi na cidade de Beckley. Ele havia feito uma parada em um bar no centro da cidade para beber e comer alguma coisa antes de seguir para Servant, à 150 quilômetros dali. Era 4 de Julho e os fogos haviam começado à 15 minutos e mesmo assim ainda brilhavam imponentemente clareando todo o céu da cidade. Ela parou na frente dele olhando atentamente para o alto com um sorriso no rosto. E então ele parou. Ele fitou aqueles cabelos negros caídos nas costas brancas de Noelle, sim esse era o nome dela, como se aquelas milhares de cores vibrantes não estivessem ali. Quando os fogos acabaram e todos os casais se viraram ritualmente um para o outro e se beijaram ele a agarrou pelo braço suavemente e a beijou. E ela deixou. E eles se beijaram, e então se amaram e então ficaram juntos. Eles viajaram na perua dele, e ela teve 2 filhos. Eles firmaram residência em Cortneytown e então viveram os outros bons e lindos anos que restavam juntos. Ele continuou a viajar nesses anos, mas dessa vez ele sempre voltada para casa. Pois pela primeira vez na vida dele ele tinha uma. E então ele trazia relíquias de suas viagens para Noelle e seus meninos. Noelle por sua vez virou organizadora de eventos da sua cidade. Era assim todo ano. E todo ano ele estava lá juntamente com ela para comemorar todo o trabalho que ela havia tido. E então quando os fogos queimavam eles se abraçavam, olhavam para o alto e se beijavam.
E ele nunca, nunca se arrependeu uma vez se quer daquele 4 de julho.
Aquele no qual os fogos eram os olhos dela, e o único calor sentido era o do corpo dela, no corpo dele.
