O começo do que poderia ser uma boa estória.
Maebe sentou-se sobre uma pedra cinza que se encontrava ao lado de um grande rio de extensão que se comparava ao infinito. Levantou o olhar e acompanhou três micos sacolejarem os galhos de uma árvore acima de sua cabeça. Ainda era cedo mas Maebe se levantou com grande energia e vontade que foi acompanhado juntamente com os raios de Sol que despontava nos morros e agora iluminava toda a extensão da planície coberta de flores de diversos tipos. Algumas eram nativas daquele lugar, o que só embelezava mais a vista naquela manhã tão amistosa.
Ao terminar de observar aquela paisagem-pintura, decidiu nadar um pouco. Certificando-se que não havia nenhuma carroça ou caravana a passar pela estrada despiu-se deixando somente uma ceroula e uma blusa branca que pendia acima da barriga colada para sustentar os seios. Deixou o que despira perto de um tronco de árvore meio oculto pela folhagem do chão. Com os dedos do pé, encostou na água para testar a temperatura e viu que estava agradável para um mergulho. Foi descendo gradualmente o corpo pela margem do rio e adentrava a passos curto até a parte que fazia com que a água encostava-lhe à cintura. Passou as mãos na água como se quisesse acariciá-la e num súbito mergulhou de forma teatral como as sereias que lia nos livros, secretamente, no escritório de Hizibar. Ficou submersa por segundos cruzando até o outro lado da margem. Por mais extenso que fosse, sua largura não passava de meros dois metros. Era tranquilo, sem forte correnteza, o que fazia com que os "banhos" fossem bastante comuns.
Maebe emergiu e seus longos cabelos cor de mel foram-lhe jogados contra as costas, como um espelho refletindo àquela luz matinal.
Sentada agora na outra margem do rio e com os pés tocando a água, Maebe olhou para o outro lado e então percebeu que havia alguém parado a observá-la. Com uma perna apoiada sobre uma pedra, o homem até então imóvel, observava Maebe de forma doce, o que a deixou menos apreensiva.
- O que quer estranho? - gritou ela pondo-se de pé.
- Ora, por Deus. Não sou um estranho. - então caminhou para perto da margem.
- Não respondeu a minha pergunta.
- Ah sim, claro. Não quero nada. Só vi quando mergulhou e fiquei a admirar. Estava caminhando por perto somente.
- Estava me seguindo, estranho? - bradou Maebe irritada com o constrangimento.
- Logicamente que não. Mas se continuar a me chamar de estranho talvez comece a segui-la. - Terminando a fraser gargalhou gostosamente.
- Ora mais que abuso! - falou Maebe em tom mais baixo, porém ainda audível.
Mergulhou de volta à outra margem e subiu alcançando a parte rasa.
- Pensei que a esta hora alguém pudesse ter um momento de paz. - e lançou um olhar furtivo ao jovem parado a sua frente antes de bater o pé molhado no gramado ao buscar suas roupas perto do tronco de árvore.
O estranho sentou-se na mesma pedra que Maebe ocupara minutos atrás.
- Diga, qual é o seu nome? - perguntou ela quando terminou de calçar os sapatos marrons.
- Meu nome é Andréius. Mas pode me chamar de André.
- Pois então Andréius - Maebe descartou toda e qualquer possível intimidade - O que faz a essa hora da manhã nos arredores do Rio Tahlis?
André deu uma risada abafada, achando graça da mudança repentina de humor da jovem que a minutos atrás parecia tão serena ao nadar pelas águas cristalinas do rio.
- Venho atrapalhar os banhos matinais das moças! - E bradou uma espada invisível como se aquilo fosse algo absurdamente honroso.
- É acho que deu para reparar isso. - Maebe penetrou-o com o olhar.
- E a senhorita o que faz a essa hora do nascer fora da cama e longe de casa?
Maebe que mesclava a raiva da interrupção do seu banho e a graça que também achava da situação respondeu irônica:
- Venho ter os meus banhos atrapalhados por rapazes perdidos.
Arrumando os cabelos ainda molhados que ficaram bagunçados enquanto colocava as roupas, saiu andando em direção a estrada que seguia-se longa até a sua casa. O rapaz ainda rindo do 'rebater' de Maebe gritou antes que ela sumisse nas árvores:
- Ei moça! Ainda não sei o seu nome.
Maebe se conteve, parando em súbito e então vencida olhou para trás.
- Maebe. Maebe de Hizibar - E deixando o jovem sozinho à margem do rio pegou a reta e foi para casa.
É comum dizer depois do nome próprio o nome do pai; ou dá mãe se não houver a figura paterna, como se aquele filho fosse propriedade daqueles seres. O que realmente é até o momento de ter idade suficiente para abandonar o título. Logo, isso aconteceria com Maebe. Porém ela ainda era uma Maebe de Hizibar e deveria se apresentar como tal.
Ao chegar em casa fez todas as suas tarefas diárias juntamente com sua irmã Mazini e deixou levar o pensamento esquecendo o episódio no rio com Andréius.
