Tuesday, January 25, 2011

Eu também.

Eu estive presa em meus próprios medos por muito tempo. E me perguntei se eles nunca iriam desaparecer de mim. As coisas vem acontecendo tão repentinamente que nem sei mais no que acreditar. Eu poderia dizer que ele me conquistou, mas também poderia dizer que ele simplesmente deu um bom flerte. Na verdade, eu sou muito segura de mim para cair em qualquer cantada barata e sei esconder muito bem minhas emoções ruins quando elas não tem que vir a tona. Mas de alguma forma com ele não foi assim. Eu segui totalmente meu oposto, e percebi que com ele eu me tornava alguém totalmente diferente.
Eu queimo o incenso no meu quarto fecho os olhos e viajo até onde quero sem ponte aérea, passagens, malas e o mais importante de tudo, sem lembranças ruins. Me sinto livre, me sinto leve. Porém há um peso, um peso no qual eu tenho que carregar e que até hoje não sei o objetivo. Talvez eu nunca saiba.
E então, certo dia ele passou de carro naquela extensa rodovia bem ao meu lado e buzinou para mim. Eu acenei de volta e então ele parou, deu ré e voltou a ficar ao lado do meu corpo desligado de toda gravidade existente com aquela enorme máquina preta cromada e cheirando a nova. Então ele saiu do carro e veio ao meu encontro.

"Eu te amo" - Ele disse.
"Eu também" - Respondi.

Nos beijamos, e então senti o cheiro da despedida. O cheiro do couro da sua jaqueta, o cheiro da sua loção pós-barba que o tanto fazia homem, e seu hálito quente e cheirando a menta. Ele sorriu. Depois disto, nunca mais o vi novamente. Então, percebi que estava em uma dessas minhas viagens. Em um desses devaneios e que eu precisava voltar. Voltar para uma realidade que eu não acreditava que fosse minha. Pelo menos não sem ele. ♥

edição e re-postagem.

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