Sunday, March 27, 2011

Porque nada, soa tão bonito.

Vamos então expor os segredos. Tudo bem, se você não quiser falar é claro, até porque são segredos. Mas de uma forma ou de outra eu confesso que gostaria de saber. Hoje eu acordei com essa impressão de que você me esconde as coisas. Porém não por maldade, mas por plena convicção de que tudo na sua vida antes de me conhecer não tem a mera importância e que por isso eu não gostaria de saber. Saiba que está errado, querido. O sol nasceu amarelo na janela branca de madeira arando o piso suavemente até subir pela minha cama, dar um beijo de bom dia no meu rosto e finalmente tocar seu cabelo castanho fazendo-o brilhar e virar inocentemente um segundo sol, agora muito mais perto de mim e com calor dobrado. Eu sempre te achei esperto por ter escolhido o lado da cama no qual o sol chega por último e ainda por grande esperteza deitar de costas para a janela de forma que aquele pequeno filete caloroso não o incomode e o faça acordar.  Me disponibilizo metade de uma hora para olhar para você enquanto levanto, me arrumo, desenrolo o  cabelo que insensivelmente insiste em acordar desta maneira e me pergunto mais uma vez como, numa canção, sobre seus segredos. Eu gostaria sim de voltar alguns anos atrás por mais clichê e vintage que pareça, mas eu gostaria. Não que eu nunca quisesse ter te conhecido, é que na verdade eu gostaria de ter me preparado melhor para você. Talvez se eu já soubesse que haveria alguém como você me esperando no futuro, eu tivesse sido alguém melhor, alguém que você pudesse ver através da casca externa e assim quem sabe, eu tivesse encontrado você antes nesse passado no qual eu gostaria de voltar. Creio eu que agora estou sim atrasada, o relógio despertou pela enésima vez na cozinha e meu amor, se for tarde demais não voltarei a tempo. Porque nada soa tão bonito quanto quando ponho a minha chave na porta e você aparece atrás dela pronto a segurar meu cansaço se acaso eu precisar e dizer: 'Não quero saber sobre seu trabalho, fale-me sobre você...'. E nos deleitamos no sofá a sorrir, e voltamos a dormir até que no dia seguinte eu me pergunte novamente sobre os tais segredos que se escondem em você.

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