Não há divergência. Não tem um modo exato pra se escapar quando tudo o que você avista no seu caminho são pedras que deveras farão você cair. E por mais que você fraqueje e ninguém acredite no seu sucesso, você continua caminhando mesmo sem ter um rumo certo em mente; você só quer provar a si mesmo que pode muito mais do que imaginam.
Seu coração parecia algo decrépito, assim como as ruínas que avistara caindo abismo adentro. Ela viu a terra se abrir na sua frente, ela viu seus sonhos morrerem junto com a esperança das pessoas. Mas pelo contrário do que pareceu que aconteceria, ela não desistiu de seus ideais. Continuou caminhando, arriscando sua vida ser engolida pelo mar de medo que banhava o velho chalé em que sua família se instalara há décadas. Ela testemunhou a queda nos olhos de sua mãe, e não havia mais nada que a colocasse tanto temor no coração. Ela teve que se despedir de suas adoradas coisas, ela teve que partir antes que o silêncio tomasse conta de tudo. Por si só, ela recomeçou pra não ter de dar motivos ao mal que se achegasse. Seu sorriso sempre esteve tão implacável que a todos que viam ela poderia enganar com um simples olhar. Porque de fora, seu sorriso poderia ser um tipo de máscara que cobria com êxito as feridas abertas dentro de seu peito, e sufocavam todo e qualquer choro interior. Ela se tornou um motivo de alegria para muitos que jamais a conheceram de verdade, e isso era algo que a completava e lhe dava forças para ir adiante, tentando encontrar um pouco de satisfação em sua vida que havia sido brutalmente esquecida e deixada pra trás, com o tempo. Ela tentara de tudo pra ser um orgulho, mas aquelas pessoas tão queridas eram as que mais lhe doíam o olhar; ela se sentia cortada como se lhe cravassem punhais quando uma simples repreensão estava estampada na face de alguma daquelas pessoas. Ela por sua vida se perguntou o porquê, se ela não havia culpa de se parecer com aquele que causou o bem e o mal. Ela tentou por várias noites pensar no que fazer, seus planos aparentemente infalíveis quase deram certo, mas é que ela não conseguia mesmo tirar a ideia torpe da cabeça deles. Cansada de chorar e engolir a sua dor como se fosse um saco de agulhas, foi aí quando ela desistiu. O amor morreu dentro de seus olhos, e dessa vez a corajosa guerreira estava estirada aos pés do fracasso, pedindo relutantemente apenas por uma levada da morte. Mas até esta sabia que ente tão corajosa não merecia fardo como o que carregava. Até essa lhe fez perceber que tudo que ela tinha era precioso. Esta que a conhecendo de perto, face-a-face, lhe fez suprir todas as dúvidas e simplesmente deixar as mágoas pra lá. "Erga a tua cabeça. Tu mesma sabes que não és digna de mim." A morte lhe deu um novo nome. Uma nova etapa, lhe comprou sorrisos de sobra para distribuir àqueles que realmente se importavam. E ela correu, pra longe, não completa; mas satisfeita por poder fazer algo quando quisesse a quem ela realmente soubesse que vale a pena. E logo, o barulho cortante das folhas secas se partindo aos seus pés descalços e o uivar do vento revoltado com o ribombar do trovão logo abafaram a voz da morte. "Tenha fé em você. É você, querida. O contrário de mim. Você é a vida. E a vida é mesmo assim... Cheia de surpresa, suspense e aventura."
