Eu tentava fugir naquela noite lúgubre, com a garganta intumescida de tantas coisas que eu não havia dito, mas o meu profundo desejo era ficar, porque longe da tua presença eu era algo inútil, portanto desvaneceria se não o tivesse comigo. Me sentia culpada por ser tão dependente do seu beijo cálido, que me abrasava todas as vezes em que me rendia aos teus encantos, mas eu escolhi partir pra não despejar nas tuas costas toda a dor que me cerrava o peito. Escolhi virar as costas, trêmula e desestimulada, mas deixando transparecer nos meus olhos toda a dor dos meus atos, até você me ver desaparecer na vertigem do tempo. Eu pude escutar de longe o teu gemido e meu corpo pulsou ao sentir a sua dor, porém não deixaria que aquilo tomasse conta das minhas decisões, pois eu havia passado muito tempo me preparando pra chegada desse momento, onde os sentimentos não seriam mais um só e os motivos pra ficar já teriam se tornado obsoletos. Se eu não nos libertasse dessa muralha, talvez nunca soubéssemos o que é a real entrega ao acaso, nem saberíamos o que é amor intenso, dos mais celestiais, aquele que prova para o mundo que o abandono pode ser coragem e forma de proteger o outro. Eu o observo caminhar pela vila, totalmente estarrecido e desprezado pela noite, procurando subterfúgios para se defender do amor, de mesmo modo procurando-o para se defender de mim.
Showing posts with label JuliaWearsPrada. Show all posts
Showing posts with label JuliaWearsPrada. Show all posts
Sunday, May 29, 2011
Sunday, May 15, 2011
Sunday, April 17, 2011
Du riechst so gut.
"Eu acho você. A trilha está fresca sobre a ponte. Goteja seu suor, seu sangue cálido. Eu não te vejo. Sinto apenas seu cheiro e sua presença. Um predador que grita, faminto. Posso te farejar a milhas de distância..." - Rammstein
Responsible for the feeling:
JuliaWearsPrada,
Quotes
Sunday, March 13, 2011
Into your arms.
Eu sempre congelo pensando nas palavras pra dizer
Todas as coisas que ele faz, fazem isso parecer amor. E se é apenas um jogo, eu gosto do jeito que jogamos.
Eu ouvi no fundo a sua gargalhada. Eu sei que é algo comum, mas eu me prendo aos pequenos e mínimos detalhes. É que faz falta quando eu não a ouço. Não é dificil saber que você já dança conforme o ritmo da nossa música. Eu brinco um pouco, rio de você, mas sempre caio no seu jogo. Você disfarça, tenta fugir, mas se entrega e também faz parte de mim. Em outro caso seria uma bagunça, mas no nosso caso é saborear todos os gostos que a vida dá. Eu não temo o amanhã. Porque enquanto eu te tiver do meu lado, tiver o calor do seu corpo e a alegria dos seus gestos festejando junto aos meus, eu vou sossegar a minha cabeça no seu ombro. Caminho com delicadeza, seguro a sua mão, faço você dar voltas do meu lado, pra matar o tempo que perdemos durante os desencontros da vida; e eu fui me desencontrando de tudo até te encontrar, desencontrado de si, e de mim em outra ocasião. Mas agora eu te tenho perto, e tenho dúvidas, mas elas não conseguem interferir no jeito que eu te amo quando você me beija com calor; eu te afasto, me aproximo, você volta pra pedir abraço, eu te nego carinho, insolente, querendo fazer jogo duro pra você se render ao meu charme; acabo seduzida por mais um sorriso seu... Você faz graça, eu fico em silêncio, você fica corado e eu começo a rir de você; você fica sério. O tempo todo nós brincamos, jogamos e xeque mate nisso que eles dizem que é amor; mas sinceramente-eu-não-sei; fixo o olhar em você, eu leio sua mente e você fecha os olhos, o seu olhar me acolhe, mas eu derreto em você tentando não me deixar levar, e pra onde mais eu poderia ser levada se eu não me tenho tanto quanto você me tem? Não sei onde é que estou, ou onde fui parar, eu te digo que não posso ir, você acha graça e se joga na cama, eu escuto o estalo mesmo do outro lado da linha, meu coração acelera quando eu sei que você está chegando com seus passos leves, se aproximando da soleira da minha porta. Fique aqui esta noite, não deixe o amor ir embora pelo menos hoje porque eu preciso de você mais do que eu posso mostrar, e se eu estou na sua foi porque me permiti, você sabe que nunca é tarde pra se divertir; mas os seus sentimentos importam pra mim. Eu adoro quando você diz que eu sou linda, quando você me agrada com aquelas flores perfumadas; quando seu instinto é maior que você e você se torna um cavalheiro inigualável, peça rara nessa estrada suja. Você gosta da minha voz; você sabe o que a nossa alegria faz, você vem pra mim sem vergonha, sem receios de se deleitar em uma paixão entorpecente e perigosa. Você diz que me conhece, mas não consegue captar meu olhar que te ataca, te deseja com ferocidade; que te arranca pedaços, te devora. Eu tinha tanta coisa pra te dizer, que sinto em segredo só por você. E em outro dia, sei que você não passa de uma interrogação, um complexo indefinido, algo que eu nunca tinha visto mas eu quis experimentar, eu quis ficar, até te beijar...
Responsible for the feeling:
JuliaWearsPrada,
Texts
Saturday, March 12, 2011
Summer boy.
Ah, esses Veraneios... o vento me disse que te traria até mim, e eu não tinha acreditado até então. Os astros sempre me disseram que você me tomaria, e eu só dei créditos quando me vi seduzida por você. Eu me lembro como você se vestiu no nosso primeiro encontro. Por que as coisas fazem tanto sentido agora? A verdade é que eu te admiro. Não importa onde essa paixão dê, do amor eu vou sempre lembrar. E eu vou guardar aqueles momentos de entrega, aqueles sorrisos sinceros e o romance que nunca deixou de nos acompanhar. Venha, sente aqui do meu lado pra contemplar a luz da lua, se sirva com uma taça de vinho e saboreie o silêncio que faz na rua. Não sei se nós vamos ter outro momento como esse, então aproveite ao máximo enquanto ele durar. Não vá embora, espere e passe a noite comigo, porque eu só vou deixar você ir embora quando o raiar do rei sol me cobrir por inteira na cama, e tomar meu corpo como você faz. Ah, os seus olhos! As coisas que eu vejo dentro de você através deles, a porta pra sua alma. Como eu queria mergulhar por inteiro pra dentro de você, desse jeito que eu faço; mas volto por medo de não achar mais saída; só que bem profundamente, sem arrependimentos. Eu não quero ter que voltar pro lugar de onde vim sem saber que sempre terei a sua companhia pra brindar a vida; que seja. Eu não quero ter que ir embora por desamores, desafetos, eu quero que você esteja presente nem que seja pra dizer que eu sou louca. Mas se eu tiver que ir embora, não se apresse, não tema que eu não volte. Sou imprevisível como a chuva de verão. Aos poucos vou arrancar suspiros apaixonados do seu peito másculo, vou te beijar intensamente como se fosse a última vez, vou te fazer entender que é pra ficar e me despedir quando tiver que ir embora de vez. E se minha estadia for te machucar, eu prefiro que você vá e me tire da sua vista, porque por mais que eu insista, só você pode saber ao que mais se adapta, o que te faz sentir melhor. É porque eu sou um porto inseguro, um lugar que você pode estar apenas por uma noite, por dias, ou nunca mais. Só não tenha medo. Seus olhos são como o pôr-do-sol, não canso de admirá-los, porque a minha alma é tocada pela infinitude desse teu encanto. Não peça pra que eu te esqueça. Viver sem teu abraço é algo que eu posso com o tempo superar, mas apagar sua memória de mim é o que de mais impossível eu temo. Você pode me dar a mão se você se sentir só. Eu posso fazer isso por você, eu posso segurar a sua mão. Só não lhe garanto dar o meu coração. É só você ir devagar. Porque o tempo trará todas as respostas, tanto as que eu procuro, quanto as que você nem pensa que existem.
Responsible for the feeling:
JuliaWearsPrada,
Texts,
Wonderful Ones
Sunday, March 6, 2011
Eu carrego você comigo.
Eu carrego seu coração comigo, eu o carrego no meu coração. Eu nunca estou sem ele. Onde quer que eu vá, você vai, querido. Eu não temo o destino, porque você é o meu destino. Eu não quero o mundo por mais belo que seja, porque você é meu mundo, minha verdade. Este é o maior dos segredos que ninguém sabe.Você é a raiz da raiz, e o botão do botão. E o céu do céu de uma árvore chamada vida; que cresce mais alta do que a alma pode esperar ou a mente pode esconder. Este é o milagre que distancia as estrelas. Eu carrego seu coração, e eu o carrego no meu coração. Se uma imagem vale por mil palavras, por não estar me vendo agora é que preciso de mil palavras pra te descrever o que sinto. Eu filho do sol de corpo imortal encontrei em ti, uma paixão lunar. E a tua luz refletida no mar me faz querer andar por sobre as águas como se eu pudesse mesmo caminhar por sobre elas. Ah... essa condição humana marcada pela transitoriedade, esses laços que se desfazem com qualquer vento contrário, esses momentos que acabam. O mundo foi feito para girar e enquanto ele roda, tudo se transforma ou acaba. O que poderia essa minha paixão contra todas essas probabilidades? E nossa saída para essa impossibilidade terrena é o nosso destino cósmico, que sempre quis que feito duas estrelas, cada um em sua galáxia, brilhássemos. E assim desconectados nossa esperança sempre foi que os nossos raios de luz um dia pudessem em algum confim do universos se encontrar. E eles se encontraram! Por isso não te quero como um prolongamento meu, nem desejo amar-te feito uma criança, que ama pela necessidade de sobrevivência. Amo-te pelo que me faz sentir, pelo significado que dá a minha vida e pelo que vejo refletido de mim em ti. Ao unir a minha luz a tua luz juntos iluminaremos o caminho que se abre infinito a nossa frente, mesmo em meus momentos mais solitários, naqueles de mais vazio, sempre senti no fundo a sua presença, porque no fundo sempre soube que embora na distancia, jamais fomos separados...
E. E. Cummings
Adaptação: Julia Castro
Responsible for the feeling:
JuliaWearsPrada,
Texts
When we said 'bout love.
Participação especial: Matheus Ortiz.
Ela acorda as 6h. Ela começa o dia com aquela mesma sensação, ela se sente obrigada a fazer algo pra lutar
e correr atrás do que sente, porque no fundo ela teme que não exista um amanhã. Os afazeres do seu dia a tornam uma pessoa cansada e triste, por realizar apenas suas obrigações e não conseguir concretizar nenhuma das suas projeções. Sempre no 3 lugar, ela observa enquanto é guiada pelo mundo, através da janela parece fitar as esquinas procurando inutilmente a sua presença. Aquela única presença que é capaz de lhe trazer felicidade incessante, mas ela sabe que não o encontrará ali.
Ele acorda todos os dias, sempre com o desespero. Nem todas as suas noites são noites que se pode dormir com a mente tranquila. Ele sempre calmo, nunca demonstrou um sentimento de dor de tudo que havia passado anteriormente. Por dentro, ele tem medo, medo de que tudo aquilo que ele passou se repita, medo de um segundo erro. Em suas manhas, ele apenas reflete. Procura ter pensamentos leves mas dificilmente consegue. Sempre esteve a procura de uma pessoa que o completasse, que lhe desse a segurança de que aquilo não iria se repetir. Ele ainda tem medo, mas tem esperança de que um dia o sol venha brilhar pra ele de novo.
Ela sempre procurou um outro alguém nos alguéns que conheceu. Não um alguém em especial, mas aquele alguém que fosse somente seu. Aquele alguém que ela acharia perfeito em qualquer momento. E ele é o perfeito pra ela. Sem medidas exatas, mas ele a completa até nos defeitos. Ela sabe que é aquilo que ela quer, mas não sabe quanto a ele, se ela deve. Ela não precisa estar angustiada. Sempre foi tão linda e amada. Seu jeito tão simples chega a ser sensacional. Mas ela é tão insistente e teimosa que não faz o tipo desistente e derrotada. Ela tem muitos objetivos e o maior deles é não desistir de lutar, ela tem que ao menos tentar pra se sentir um pouco realizada. Ela quer dizer a ele o que sente. Seu medo de chegar corrói seu peito, e sua dúvida aumenta no mesmo grau que seu amor. Insanidade? Ele deveria saber que não é a única se sentindo assim. Durante a tarde ela vem tentando sufocar a saudade. Ela descansa seus pés na almofada, e enquanto inventa mil possibilidades pra chegar até lá, se sente tão inútil e intocada...
Como todo garoto, ele sente atração por garotas, mas ele ainda não achou a quem ter aquele sentimento maior, um sentimento que vale mesmo a pena. Ele quer alguém que pode lhe dar o mesmo que ele pode dar, com a mesma intensidade, com o mesmo amor. Ele está sempre rodeado pelos amigos. Sempre bem humorado, nunca demonstrou nada dessa DOR pra nenhum de seus amigos, ele sempre a deixou guardada consigo. Esperança; é aquilo o que mais o motiva à sua busca insaciável, mas o medo lhe atrapalha. Ele tem muita perseverança consigo, e vai lutar por tudo que sonha, e irá proteger a quem ama. Seus sentimentos não mentem. Ele quer botar tudo pra fora, e deixar tudo fluir, deixar acontecer do jeito que foi predestinado a ser.
Ele passa sua tarde com esses pensamentos confusos, e que lhe trazem mais medos. Deixa seus pensamentos irem alem da perfeição de estar com alguém. Ele sente um aperto no coração, se sente solitário.
No fundo ela só espera angustiada que ele fale o que sente. Ela sabe que pode ser aquele alguém exato que ele procura. Ela pode ser o encaixe, aquilo que falta pra felicidade dele, praquela felicidade toda planejada pros dois. Ela só espera um passo dele pra continuar, sendo isso positivo ou não. Ela quer que ele diga que a ama, ou que peça pra que ela o deixe em paz. Ela deita a cabeça em seu travisseiro e pensa em tudo, em todos os planos que já fez e fracassou, em tudo que tentou e não deu certo. Ela não poderia estar errada dessa vez.
Com todo aquele sentimento que ele está, ele pensa sem cansar, sobre tudo o que ele sente por ela. Não são exatamente pensamentos, e sim uma projeção de momentos em que ele finalmente fala pra ela que a ama de verdade. Essa foi a conclusão que ele teve depois de tanto pensar. Ele ainda tem medo, mas está prestes a fazer aquilo que ele realmente quer... Apenas dizer a ela um simples “eu te amo!” e não pensar em nada mais, só em falar seus sentimentos para ela, sem pensar nas conseqüências. Ele estava certo disso.
Ela pensa em desistir sem tentar mais, porque acha que se ele quisesse sua comapnhia ele teria solicitado. Ela caminha até seu quarto, deita a cabeça no travesseiro e dorme, sonhando com um novo dia e criando novas expectativas. Ela sonha apenas que tudo dê certo, e que se não for dessa vez, será de uma próxima e assim sucessivamente. Ela não desistiu do amor. Ela apenas desistiu de tentar ser amor, agora ela apenas vai deixar que as coisas aconteçam sem que ela force nada. O que tiver de ser e o que tiver de se fazer, assim será. Ela fecha os olhos então, e num sono bem leve, pensando em ser feliz ela começa a sonhar...
Responsible for the feeling:
JuliaWearsPrada,
Special Guest,
Texts
Days like masquerades
Apesar do escuro, as luzes brilhantes e tão coloridas me ajudaram a enxergar seus traços delicados. Eu dançava conforme o ritmo pedia até então, mas quando a avistei meus pés descompassaram e eu já não era mais comanadante daquele corpo desgastado por decepções. O som estava alto, mas meus olhos estavam vidrados naquela garota, e eu pude ouvir a sua risada estonteante. Ela parecia brilhar, mais que qualquer outra garota, mais que qualquer estrela que aparecesse no céu naquela noite. Fui chegando perto, curioso para ver o rosto que se escondia atrás de tanta penugem, de tanto material sem importância. Ela não precisava de fantasias para ganhar a noite, porque ela foi a única que me fascinou durante o baile. Me aproximava sem deixar transparecer, não queria ser assim tão descarado e já me dizer apaixonado por alguém que eu nem havia visto o verdadeiro rosto. Me aproveitei da situação, ela estava dançando sozinha, meio perdida. A convidei pra dançar. As vozes ecoaram, as luzes ficaram foscas e eu tonto, gelado de amor. Mas meus sentidos voltaram à tona quando aquela voz macia e desejável me deslumbrou com um tímido 'Sim'. Eu não tinha jeito para chegar, mas mesmo assim ela estava cada vez mais dentro do meu corpo; minha mão deslizava pelos seus braços enquanto sua delicada pele ficava arrepiada. Pude notar que ela fechou os olhos, eu me aproximei, regogizando de sua fraqueza momentânea e colei o meu rosto no dela, sentindo toda a sua respiração quente e ofegante. Levantei seu rosto com um toque no queixo e a beijei. Parti para um lugar longe da terra, e eu juro que a vi voar e pousar sob as nuvens, seus pés descalços, todo o tempo do mundo e nenhum lugar para ir. Sentia o gosto de seus lábios cheios e avermelhados, me deliciava no perfume de frutas que vinha de sua pele. Toquei seus cabelos, foi um passo chave para as coisas melhorarem. Aproveitei a noite, colei em seu corpo cheio de formas, delirei e a fiz delirar de amor. Um amor à primeira vista, sem nenhuma cobrança ou restrições; apenas amor com amor em seu termo completo.Ela me envolveu num abraço forte, apertando meu corpo contra o seu, pedindo em gestos pra que aquele momento nunca acabasse. Eu estava feliz, mas triste, atormentado por não saber quem ela é, e por ter sentido naquele beijo desconhecido aquilo que eu sempre quis sentir na minha vida. Não era só desejo, mas algo impossível de explicar em palavras. Depois de algumas horas ela se virou e foi embora, e eu não sei quem ela é. Não posso procurar por ela, porque sinto medo de acabar com as lembranças boas, de desgastar o sentimento bom que tivemos. Não sei como procurar por ela, porque mal conheço o seu rosto. Mas se ela passar perto o suficiente de mim, mesmo que esse perto seja longe o suficiente pra eu ter que correr até ela, eu reconheceria o seu cheiro, eu reconheceria os seus gestos e a sua risada que me deixou paralizado. Então eu a beijaria, e saberia - sem dúvidas - que era ela a garota que levou meu coração embora no baile.
Responsible for the feeling:
JuliaWearsPrada,
Texts,
Wonderful Ones
Waiting for the end.
De repente, o mar bravio. Minha memória escassa, eu pouco lembrava como havia chegado ali. Meus pés nús escorregavam no lodo, meu vestido encharcado pela tempestade que caía de nada adiantava, meu corpo estava à mostra. A furia da água se jogava pra cima de mim, e eu sentia medo. Me perguntava como pude ter me deixado levar até ali, já que sempre soube que correria todos esses riscos; eu sempre vejo as nuvens carregadas no céu, independente do quão longe elas estejam da vista humana. Agora eu estava desprotegida, sem saídas em meio ao mar revolto, sentada numa pedra grande que se encontrava tão decrépta e isolada que em mim nem brotavam as esperanças. Eu queria sair viva, mas ninguém imagina o quanto é dificil se sentir perdida. Eu estava sozinha, havia sido traída por mim mesma e por pessoas por quem daria a vida. Aos poucos as coisas vinham de relance na minha mente, um fato ligado ao outro: uma catástrofe. Tomavam-me o ódio e a angústia de não saber como lidar com o acontecido, mas meu peito se enchia de vontade de sair ganhando desta vez e mostrar a minha verdadeira face, para provocar a desordem e o confronto, eu tinha sede de ser a guerra. Fitei o balanço das ondas, e em toda a sua medonha estratégia de devastação. Estranho mas eu observava atentamente, querendo respostas e até mesmo ajuda. – Me joguei no mar. Quando você sente a morte na pele, todas as soluções para todos os problemas aparecem. Aqueles pequenos problemas deixam de ser problemas. Os enormes rumam a uma solução prática. As perguntas nunca respondidas ganham respostas óbvias, mas ninguém nunca pensou nelas. As faces são descobertas, as máscaras transparecem. Você lembra de pessoas que nem achava que existissem mais. As risadas mais intensas que já deu ficam ecoando em sua mente. Na frente de seus olhos, um único sorriso, o que mais marcou, mas que você nunca se deu conta. Seu corpo sente o toque do abraço mais quente. Você identifica o cheiro suave, que te faz sentir desejo e conforto numa só tacada. Você sorri, tenta voltar, mas sabe que não conseguiria. A água começa a invadir os seus pulmões, você sabe de tudo, como agir minuciosamente em cada situação, e se sente tolo por não ter pensado antes. Mas tem a consciência que jamais saberia se não tivesse se jogado e entregado a sua própria vida. Você mentaliza o perdão que deveria ter pedido a cada pessoa que machucou mesmo quando sem querer, e o que você não deu quando seu orgulho falou tão alto que te induziu a ser rude. Você se sente tranquilo e ao mesmo tempo impedido, porque você sabe, e as pessoas não. Se você morre, a sua imagem na cabeça delas continua a mesma. Se você está morrendo, a imagem que você tem delas é diferente, e você daria tudo pro seu corpo não ser fraco nesse momento. A natureza me sufocava, eu não tentaria voltar. Mesmo que esperasse ali naquela pedra por dias, eu jamais conseguiria. Então eu afundei, sabendo a verdade. Planos mirabolantes, estratégias de A a Z. Não foi tão fácil de consegui-las. Eu me doei por um bem/mal maior. Pude sentir as algas por entre meus dedos dos pés. Em volta do que eu via, tudo escuro, e no meio uma luz brilhante que me pedia pra acreditar. Eu acreditava, desacreditada e sem muito sentimento ilusório. A luz foi partindo-se junto com minha força e consciência, dividiu-se em pequenas partículas de luz intensa e dançavam na minha frente. Iam se apagando uma por uma, a água invadia minhas entranhas, eu podia sentir. Meu corpo balançava de forma brusca, eu estava sendo levada, e nem eu mesma me preocupava em trazer de volta. Sentir a fúria na pele, a sabedoria em mente e nenhuma coragem ou sinal de luta por sobrevivência. Eu estava testando o mundo, e se saísse seria outra pessoa, e os que temiam teriam motivos pra ter medo de mim. Dócil e afável eu seria com os escondidos que sempre estiveram tão próximos do meu peito. O mundo explodiu, meus olhos fecharam sozinhos e a escuridão predominou quem eu sou. Eu fui testemunha da dor, eu ouvi o silêncio gritar alto e dolorido. – Gaivotas fazendo escândalo acima de mim, como eu podia ouvir? Permaneci de olhos fechados, tateei o chão áspero em que eu estava deitada. “É um delírio” - sussurrei. Ouvia vozes, mas desconfiava da minha sanidade. Era tudo muito vago, muito impossuível pra ser real. Não podiam ter se passado mais que segundos, pelo menos parecia que eu tinha acabado de fechar os olhos e deitar na cama do infinito. Desconfiava do que era verdade agora. Peça por peça se juntou na minha cabeça. Eu sobrevivi. E eu sabia de tudo. Eu faria as coisas certas e as coisas erradas que nunca foram feitas. Eu tinha descoberto que nunca era tarde demais. E pra sempre, tão distante que ninguém pôde provar que existe, porque não conseguiu chegar até lá. Abri meus olhos devagar, eles doíam. Mesmo embaçado, vi os pescadores a quem eu devia minha vida. O barco cheirava a peixe, mas nada era pior do que o que eu senti antes de tudo. Mil motivos para estar triste e um único pra estar extremamente feliz por ter subido o nível intelectual. O sobre-humano. Sorri maliciosa - nada como mil idéias, a vingança, a sabedoria total e muito tempo de sobra pra planejar perfeitamente. Eu me transformei em uma granada, e qualquer hora eu puxaria o pino. Destruindo tudo, sem dó ou remorso algum; apenas com um sorriso estampando minha face impecável.
Responsible for the feeling:
JuliaWearsPrada,
Texts,
Wonderful Ones
Saturday, February 12, 2011
He looks so adorable.
O cenário era tão clichê que fez-se bem autônomo. Algo diferente em estar ali, daquele jeito e naquela companhia tão, digamos, surpreendente e um tanto inesperada. Jamais pensei que te encontraria ali, e por muito tempo achei que nunca mais lhe encontraria em lugar nenhum. Eu estava sentada na beira o píer, e de longe meus ouvidos testemunhavam pegadas leves, porém o som era conhecido à minha audição. Encantada pelas gaivotas que voavam sobre a água na busca do peixe de cada dia, não consegui me virar pra ver. Não me interessava, pois o desânimo já havia tomado conta de mim. Você se jogou na água, e espantou os pássaros que eu admirava a horas. Fiquei bastente irritada, e num súbito de ódio enchi meus pulmões para dizer o primeiro palavrão que me viesse a cabeça. Mas meus olhos não acreditavam no que eu estava vendo. Você emergiu e deu um sorriso molhado pra mim. Em um instante consegui sentir ódio e amor, o que me leva a acreditar que esses dois não são tão diferentes assim... Você voltou pro píer, se esticando, e sentou ao meu lado. Fitou os olhos no pôr do sol, ficou em silêncio por alguns minutos e depois me olhou, com aquela mesma sede de saber a quantas anda a minha vida, com aquela mesma ânsia de me proteger de qualquer mal, aquele mesmo instinto de me acolher e mostrar que tudo está bem, porque você chegou. E era realmente assim que as coisas funcionavam. Você me sorriu, e todo molhado me ofereceu os braços pra eu me aconchegar. Podiam se passar séculos, mas seríamos sempre os mesmos, sem aquela timidez que havia passado há tempos e pra sempre, sem aquela cobrança proposital que os amigos fazem. Era assim, de tempos em tempos, esperar o improvável pra viver de novo aquela sensação. Um olhar bastou, pra meu peito sentir-se refrigerado de novo. Outra vez, eu e você, em um lugar que jamais pensariamos. Era sem avisos, sem compromisso. Você vinha pra eu saber que eu ainda te tinha, e pra ter certeza de que eu seria a mesma pra você. Passamos a tarde conversando, vimos a chegada da lua cheia. Contemplamos uma dança dos astros, e foi tudo tão magnífico quanto saber que você sempre seria aquela pessoa sensacional. O seu jeito carinhoso, minucioso e meticuloso de falar sempre me deixou bastante segura de tudo. E a cada aparição sua, eu tinha a certeza de que somente com você que eu poderia contar. Mais ninguém. Pena que você não está quando eu quero, mas ainda bem que você aparece quando eu preciso. "Eu te amo, até algum dia." Você disse. "Eu te amo também, espero aqui." Eu respondi. E se virou desaparecendo na fumaça da brisa, abrindo um caminho de expectativas para a nova volta, o novo reconhecimento daquele que é tão importante pra mim, mesmo quando eu penso em deixá-lo pra trás por essa mania de sumir, e mesmo quando eu detesto assumir que sem você a minha vida não tem a mesma graça.
Responsible for the feeling:
JuliaWearsPrada,
Texts,
Wonderful Ones
Friday, January 21, 2011
Sinto saudade assim que ele vai embora. Quando ele não está comigo, eu acho que o inventei.
(Jenny Downham)
Responsible for the feeling:
JuliaWearsPrada,
Quotes,
Wonderful Ones
Thursday, January 20, 2011
Pela janela, vejo fragmentos da vida dos outros.
(Jenny Downham)
Responsible for the feeling:
JuliaWearsPrada,
Quotes,
Wonderful Ones
Wednesday, January 19, 2011
Subscribe to:
Posts (Atom)









