Eu não acreditava no seu retorno, muito menos na sua partida. Haviam se passado meses, anos, eu nem sei; e lá estava você desfilando pela cidade com o seu carro de luxo. O jeito como as pessoas te olhavam e comentavam sobre a sua beleza me irritava um pouco. Quando percebi, estava tão distraída que nem notei que você estava sorrindo ao meu lado, sussurrando que tinha sentido saudades. Eu confesso que tinha todos os motivos do mundo pra estar brava, e um deles era você ter prometido que jamais voltaria e agora ter feito isso, e se você o fizesse a condição era que jamais perderiamos o contato. Você burlou as regras e quebrou o nosso contrato, tamanha infidelidade. Mas o seu sorriso me fez entorpecer como naquela primeira e única vez, e o seu perfume logo espalhou pelo ambiente, deixando seu rastro. Me dei conta de que você não é o tipo de cara que faz as coisas com intenção e por completo, você é daqueles que deixam o vento guiar e a maré levar, um tipo de instinto que me deixa furiosa. É logico que secreta e profundamente eu queria que você se jogasse e se doasse a mim, e acredite, você seria o cara mais feliz do mundo, porque eu conheço o amor e te levaria ao auge dele também. Calados, nós conversamos com o olhar. Você de algum jeito sabia que eu não estava gostando das coisas agora. Um certo arrependimento batia à porta do meu coração, mas eu não me deixei constranger pelos meus medos. Eu enfrentei você. Caminhamos pela orla da praia pela noite, e você tomou um barco até o outro lado da ilha. Você sentiu o meu amor no beijo que me roubou, e tenho certeza que sabe qual é a minha real vontade. Mas por sermos tão orgulhosos, vazios e petrificados, as idéias e planos de meninos apaixonados logo se desfizeram pelo ar, como poeira. Éramos pedaço de estrela, buraco negro que sugava um pro outro numa intensidade inacreditável, mas não podíamos. Não queríamos tanto estar ligados, e sabíamos que jamais seria igual se fosse assim. Eu te dei um sorriso - Foi o máximo que consegui. Mais uma vez eu te vi partir, levando um pedaço meu contigo que ainda não descobri, e a solidão falou tão alto no meu peito que eu poderia gritar ou enlouquecer. Mas nenhum dos dois me pareceu tão aconchegante do que ir pra casa lavar meus pés de areia e minhas mãos de você, e depois tomar um café quente ao som ilustre de "Purple Rain". Não sei ao certo, mas algo bem fundo sempre me diz que isso ainda não terminou...
